Dois senadores dos EUA estão pedindo ao secretário do Tesouro Scott Bessent que determine se um investimento de US$ 500 milhões dos Emirados Árabes Unidos na empreitada de criptomoedas da família Trump exige uma revisão formal de segurança nacional.
O pedido adiciona uma nova frente ao crescente escrutínio do Congresso sobre a World Liberty Financial (WLFI) e seus laços com um alto membro da família real de Abu Dhabi com interesses em tecnologia de IA norte‑americana.
Os senadores Elizabeth Warren (democrata de Massachusetts) e Andy Kim (democrata de Nova Jersey), ambos membros do Comitê Bancário do Senado, enviaram a carta na sexta‑feira, segundo a Reuters.
O que aconteceu
Warren e Kim pediram a Bessent, que preside o Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS), que decida se o acordo justifica uma revisão pelo comitê e, em caso afirmativo, que conduza o que chamaram de investigação abrangente e imparcial. Eles fixaram o prazo em 5 de março.
A transação subjacente, relatada pela primeira vez pelo The Wall Street Journal em 1º de fevereiro, envolveu um veículo de investimento de Abu Dhabi chamado Aryam Investment adquirindo uma participação acionária de 49% na World Liberty Financial.
O acordo foi assinado em 16 de janeiro de 2025 — quatro dias antes da segunda posse de Donald Trump. Eric Trump assinou em nome da família, de acordo com documentos revisados pelo Journal.
A Aryam é financiada por Sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, assessor de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos, irmão do presidente do país e presidente da empresa de IA G42. Dois executivos da G42 receberam assentos no conselho de cinco membros da World Liberty Financial como parte do acordo.
Do pagamento inicial, US$ 187 milhões foram para entidades da família Trump e pelo menos US$ 31 milhões para entidades ligadas à família de Steve Witkoff, enviado de Trump para o Oriente Médio e cofundador da World Liberty, segundo o Journal.
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Por que isso importa
A preocupação dos senadores gira em torno do momento do acordo. Meses após a aquisição da participação, o governo Trump aprovou a venda de cerca de 500.000 chips avançados de IA por ano para os Emirados Árabes Unidos, com cerca de um quinto destinado à G42.
Sob o governo Biden, o acesso da G42 a chips havia sido restringido devido a alertas da inteligência dos EUA sobre antigos vínculos da empresa com companhias de tecnologia chinesas.
Warren e Kim escreveram que o CFIUS tem um “mandato claro” para lidar com riscos de investimentos estrangeiros que possam dar a governos acesso a tecnologia crítica ou a dados pessoais sensíveis de cidadãos norte‑americanos. A World Liberty Financial coleta dados de usuários e opera a USD1, uma stablecoin lastreada em dólar e garantida por títulos do Tesouro dos EUA.
Um porta‑voz da World Liberty Financial disse à CNN que nem o presidente Trump nem Witkoff tiveram envolvimento na transação e negou qualquer conexão entre o acordo e a política de chips de IA.
A carta se soma a uma investigação separada na Câmara, iniciada em 5 de fevereiro, que busca registros de propriedade e trilhas de pagamentos da World Liberty Financial. Permanece em aberto se o CFIUS — que opera sob a autoridade de Bessent, mas se reporta a um presidente com interesse financeiro direto no desfecho — irá agir.
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