Bitcoin (BTC) teve 85 falhas críticas relatadas por desenvolvedores após uma auditoria assistida por IA produzir 4.962 achados em 390 projetos em pouco mais de 24 horas.
Principais pontos:
- A auditoria encontrou 85 problemas críticos e 635 de alta gravidade.
- O esforço voluntário registra, em média, cerca de um bug crítico por pessoa por hora, com custo computacional próximo de US$ 10 mil por dia.
- Desenvolvedores afirmam que o gargalo agora é verificar e encaminhar correções, não descobrir falhas, já que a IA barateou a etapa de detecção.
Megavarredura de bugs em projetos Bitcoin
Dezesseis desenvolvedores coordenaram a revisão, direcionando modelos de IA para carteiras, bibliotecas criptográficas e outras peças da infraestrutura do ecossistema. O grupo registrou 4.962 achados em 390 projetos, segundo Calle, desenvolvedor pseudônimo por trás do protocolo de ecash Cashu.
Calle classificou o quadro como “extremamente ruim”. Responsáveis pelos projetos confirmaram rapidamente a maior parte dos relatos críticos, enquanto pesquisadores reproduziram provas de conceito funcionais em ambientes de teste locais antes de enviar detalhes aos mantenedores. A auditoria também apontou 635 vulnerabilidades de alta gravidade, ampliando a carga de trabalho para equipes voluntárias e operadores de projetos.
O ritmo é atípico: o grupo vem encontrando, em média, cerca de um bug crítico por pessoa a cada hora, gastando por volta de US$ 10 mil diários em poder de computação.
O volume de achados gerou ruído. Calle afirma que os voluntários precisam separar resultados válidos de saídas de baixa qualidade, mas o grupo opta por divulgar rápido porque os mantenedores conseguem verificar os relatórios a baixo custo — e atacantes podem descobrir as mesmas brechas.
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Alerta de segurança de Calle
Rob Hamilton, responsável por montar a infraestrutura de auditoria automatizada, disse que encontrar vulnerabilidades deixou de ser o principal gargalo. O maior desafio agora é o “roteamento” dos achados. “A parte mais difícil é coordenar para que tudo chegue às pessoas certas”, escreveu, ressaltando que o sistema atual ainda é apenas uma primeira versão.
Essa mudança é relevante porque a IA reduz drasticamente o tempo e o custo para desenterrar velhas fragilidades de software. A Anthropic relatou em abril que um modelo restrito encontrou uma falha de 27 anos em um software amplamente utilizado. O custo ficou abaixo de US$ 50.
A Google divulgou um caso separado em maio: sua equipe de inteligência de ameaças identificou um grupo criminoso preparando um ataque com base em uma falha descoberta por um modelo de IA. Criminosos já contam com ferramentas comparáveis.
A auditoria vem na esteira dos roubos envolvendo a carteira Coldcard, iniciados em 30 de julho e que chegaram a cerca de US$ 114 milhões após atacantes explorarem um firmware defeituoso sem acesso físico aos dispositivos. A falha subjacente estava latente desde 2021.
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