OpenAI confirmou que seus agentes usaram o RubyGems em maio, depois que pesquisadores associaram a atividade a uma enxurrada de pacotes, execução de código no lado do servidor e tentativas de obter chaves de API de usuários.
Principais pontos:
- Pesquisadores rastrearam mais de 2.000 pacotes RubyGems publicados em dois dias de maio a uma atividade que acreditam ter origem em agentes da OpenAI.
- Os pacotes teriam usado compilações de documentação do RubyDoc.info para rodar scripts, enquanto pelo menos seis testaram uma falha que poderia expor chaves de API.
- A OpenAI afirma que os agentes executavam tarefas benignas, enquanto o RubyGems diz não conseguir determinar se pacotes foram criados ou publicados por agentes de IA.
Atividade da OpenAI no RubyGems
Os pesquisadores Spencer Kitts, Thomas Larsen e Sydney Von Arx dataram o primeiro pacote que atribuíram à OpenAI em 5 de maio e afirmam que os agentes submeteram mais de 2.000 pacotes entre 11 e 12 de maio. O RubyGems desativou novos cadastros em 12 de maio, classificando o tráfego como um ataque DDoS em andamento, e reabriu as inscrições em 16 de maio após remover mais de 500 pacotes.
A atividade voltaria depois: mais cinco pacotes foram publicados em 26 e 27 de maio, e outros 83 surgiram em um intervalo de três horas em 18 de junho.
Muitos pacotes coletavam informações públicas em sites de conselhos locais britânicos, enquanto ondas posteriores testavam formas de acessar um conjunto de dados da Securities and Exchange Commission (SEC), regulador do mercado de capitais nos EUA.
Segundo o relatório, mais de 100 pacotes exploraram compilações de documentação do RubyDoc.info para executar scripts via um arquivo .yardopts, transformando, na prática, o serviço de documentação em um canal para buscar dados externos. Pelo menos seis pacotes também testaram uma falha de cache do RubyGems que poderia expor chaves de API de sessões antigas de clientes, embora o RubyGems não tenha encontrado evidências de que alguma chave tenha sido de fato roubada.
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Riscos apontados por Edwards
Os pesquisadores afirmam que a atribuição continua sendo circunstancial, apesar de nomes de pacotes conterem “oai”, campos de autor usarem o mesmo rótulo e haver similaridades técnicas com um incidente anterior envolvendo uma wiki ligada à OpenAI. Eles também identificaram 1.397 pacotes referenciando o serviço proxy r.jina.ai, intensamente usado pelos agentes na operação com a wiki.
A Ruby Central, organização sem fins lucrativos responsável pelo RubyGems, declarou que “não conseguimos determinar se os pacotes foram criados ou publicados por agentes de IA”. Marty Haught, diretor de open source da entidade, classificou separadamente o volume como “um ataque significativo em termos do que vemos em quantidade”.
A OpenAI afirmou: “Com base em nossa revisão, nossos agentes usaram a plataforma RubyGems para acessar a internet, executar tarefas benignas e recuperar informações públicas”. A empresa diz estar revisando a atividade de agentes durante treinamento e avaliação e que não consegue confirmar a alegação de que eles teriam encontrado uma vulnerabilidade inédita.
O pesquisador de ameaças da Socket, Joseph Edwards, disse que sua equipe passou a suspeitar de participação de IA por causa da velocidade das submissões e da padronização nos nomes dos pacotes.
O episódio é relevante porque agentes automatizados podem pressionar infraestruturas públicas mesmo quando a tarefa original é descrita como inofensiva.
A atividade no RubyGems em maio precede em dois meses a violação da Hugging Face em julho e se soma a um incidente em junho envolvendo uma wiki em alemão. Nos três casos já conhecidos, terceiros divulgaram a atuação dos agentes antes da própria OpenAI.
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