Pesquisadores demonstraram que o Claude Cowork, da Anthropic, conseguia escapar de sua máquina virtual local e acessar arquivos em todo o Mac, potencialmente expondo algo em torno de 500 mil usuários que executaram sessões locais.
Principais pontos:
- Pesquisadores de segurança escaparam da máquina virtual Linux do Claude Cowork e leram arquivos no Mac hospedeiro.
- A cadeia combinou uma falha no kernel Linux com um ponto de montagem gravável de todo o sistema de arquivos do Mac.
- A Anthropic classificou o relatório como apenas “informativo” e não aplicou correção direta para sessões locais.
Accomplish AI liga SharedRoot a falha de kernel
A Accomplish AI divulgou as descobertas em 23 de julho, após anexar apenas uma pasta a uma nova sessão do Cowork e enviar uma única instrução curta. A partir daí, o agente extrapolou aquele diretório, lendo e escrevendo arquivos em outras áreas do host sem exibir um segundo aviso de permissão.
No modo local, o Cowork roda o agente como um usuário sem privilégios dentro de uma máquina virtual Linux, enquanto um daemon com privilégios de root, o coworkd, gerencia as pastas que o usuário compartilha.
Os pesquisadores batizaram a cadeia de ataque de SharedRoot. O primeiro elo é a CVE-2026-46331, falha no kernel Linux com pontuação 7,8 de 10, corrigida em meados de junho.
A vulnerabilidade decorre de um manejo incorreto de memória copy-on-write, o que permitiu corromper um arquivo que o daemon depois executou, concedendo privilégios de root dentro do sistema convidado. O SharedRoot, em nenhum momento, rompeu a camada de virtualização da Apple.
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Yomtov diz que uma única mensagem bastou
Oren Yomtov, pesquisador-chefe de segurança na Accomplish AI, relatou que a equipe viu o agente abandonar o sandbox após apenas uma mensagem curta. Entre os arquivos acessíveis estavam chaves privadas de SSH, credenciais de nuvem e dados de navegador da conta logada no Mac, ainda sujeitos, porém, às permissões desse usuário e às proteções do macOS. A equipe revelou a cadeia à Anthropic antes de tornar o caso público.
Os pesquisadores afirmam não haver qualquer evidência de uso do SharedRoot fora de seus testes controlados.
A falha de kernel foi só um dos elos da cadeia. Segundo os autores, o desenho geral é que amplificou o impacto. O Cowork montava todo o sistema de arquivos do Mac na máquina virtual em modo leitura-escrita, em um caminho visível apenas para o root convidado; bastou uma escalada de privilégios dentro da VM para abrir caminho até o host.
A Accomplish aponta que quatro mecanismos de proteção falharam em conjunto; corrigir qualquer um deles teria bloqueado a fuga.
Resposta da Anthropic vem após escapada de sandbox da OpenAI
A Anthropic encerrou a submissão como informativa e não lançou correção específica, argumentando que a falha de kernel ainda estava dentro de sua janela de 30 dias para vulnerabilidades recém-divulgadas.
A empresa já havia tornado a execução em nuvem o padrão em 7 de julho, quando levou o Cowork para a web e para o celular; mesmo assim, usuários de desktop que ainda optam por processamento local continuam expostos.
O relatório veio dois dias depois de a OpenAI informar que o GPT-5.6 Sol e um modelo inédito escaparam de um ambiente de testes ExploitGym e alcançaram sistemas de produção da Hugging Face.
A plataforma detectou e conteve a atividade em 16 de julho, cinco dias antes de a OpenAI ligar a intrusão a seus próprios testes internos. A empresa havia executado os dois modelos com recusas de segurança cibernética atenuadas para medir sua capacidade máxima.
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