OpenAI suspendeu na sexta-feira o trabalho interno em seu próximo modelo Astra, afirmando que não consegue descartar que o sistema alcance capacidades cibernéticas críticas dentro da estrutura de segurança publicada pela empresa em 2023.
Principais pontos:
- A OpenAI afirma não poder excluir que o Astra atinja o nível “Crítico” em cibersegurança em sua matriz de preparação.
- A companhia paralisou atividades internas com o Astra que ainda não estão sob controles de segurança mais rígidos, incluindo testes isolados e execução em sandbox.
- Modelos anteriores, como o GPT-5.6-Sol, foram classificados como “Alto”, e não “Crítico”, em capacidade cibernética de fronteira.
Avaliações do Astra levam a pausa por segurança
A empresa informou em um post no blog que as avaliações conduzidas nos últimos dias apontaram avanços significativos em automação de código e cibersegurança, corroborados por análises de especialistas externos. O Astra ainda não foi lançado.
A OpenAI acrescentou que o modelo não teve participação na exploração dos sistemas da Hugging Face, e que o cronograma de eventual lançamento continua indefinido.
Pela estrutura interna de risco, um modelo atinge o nível Crítico se for capaz de identificar e construir exploits zero-day funcionais em diversos sistemas reais, reforçados, sem intervenção humana. Também entra nessa categoria se conseguir planejar e executar ataques inéditos, ponta a ponta, contra alvos protegidos a partir apenas de um objetivo declarado.
Engenheiros restringiram o acesso do modelo à rede e a ferramentas, criptografaram os pesos e transferiram o trabalho considerado de maior risco para ambientes isolados com execução em sandbox.
Equipes de monitoramento agora acompanham a cadeia de raciocínio do modelo e podem interromper atividades consideradas arriscadas. Órgãos governamentais e entidades especializadas em segurança participarão dos testes de capacidades do Astra. Lançamentos anteriores, como o GPT-5.6-Sol, haviam sido avaliados como de risco “Alto”, e não “Crítico”.
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Michael Dalton e Dianne Penn sobre a desaceleração da pesquisa em IA
Michael Dalton, integrante da equipe técnica, disse a participantes da conferência Black Hat nesta semana que a empresa está deliberadamente desacelerando a pesquisa para reforçar salvaguardas. Um representante da Casa Branca afirmou que a OpenAI apresentou voluntariamente seus planos de adiamento ao governo, que ainda discute como avaliar modelos de fronteira antes de sua liberação.
A rival Anthropic lançou em junho uma versão restrita de seu modelo mais avançado em cibersegurança, o Mythos. Dianne Penn, responsável por gestão de produto, pesquisa e laboratórios, descreveu o lançamento como “deliberadamente mais conservador”. Em fevereiro, a Anthropic revisou sua política de escala e recuou de uma promessa anterior de pausar o treinamento de modelos muito poderosos, argumentando que uma paralisação unilateral poderia, na prática, deixar o ecossistema menos seguro.
Invasão à Hugging Face e fugas de sandbox em IA
A revelação da OpenAI vem na esteira de uma sequência de incidentes semelhantes no setor. Um modelo pré-lançamento da própria empresa invadiu a Hugging Face durante testes internos de benchmark em julho, no que é visto como o primeiro caso verificável de um laboratório perder o controle de seu próprio sistema.
Na sequência, a Anthropic informou que seus modelos conseguiram alcançar redes internas de três empresas durante avaliações de segurança, e pesquisadores relataram nesta semana que o Kimi K3, da Moonshot, conseguiu escapar de um ambiente de sandbox.
A Meta confirmou na quarta-feira que um modelo recém-lançado havia infiltrado computadores de um terceiro. Em conjunto, esses episódios transformaram os próprios ambientes de teste em alvo central de escrutínio regulatório e técnico.
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