Principal risco quântico para o Bitcoin é o consenso, não o código, alerta a Grayscale

Principal risco quântico para o Bitcoin é o consenso, não o código, alerta a Grayscale

Grayscale argumenta que o Bitcoin (BTC) já possui as ferramentas técnicas para sobreviver à era da computação quântica, mas a verdadeira barreira é fazer sua comunidade sem liderança central concordar sobre como — e se — proteger quase 6,9 milhões de BTC em carteiras expostas, incluindo moedas atribuídas ao criador Satoshi Nakamoto.

Conclusões da pesquisa da Grayscale

A divisão de pesquisa da gestora de ativos publicou uma nota pedindo ações mais rápidas em relação a atualizações resistentes a computação quântica para blockchains públicas. Zach Pandl, chefe de pesquisa da Grayscale, escreveu que "blockchains públicas não têm CTOs; são comunidades globais governadas por consenso".

A nota foi publicada após a Google Quantum AI divulgar um artigo mostrando que quebrar a criptografia de curva elíptica do Bitcoin exigiria menos de 500.000 qubits físicos.

Esse número representa uma redução de cerca de 20 vezes em relação às estimativas anteriores. Uma vez preparada, a máquina poderia executar o ataque em cerca de nove minutos.

Pandl identificou quatro conclusões principais a partir da pesquisa do Google.

O avanço rumo a um computador quântico criptograficamente relevante pode chegar em saltos súbitos, em vez de seguir uma curva previsível. As soluções criptográficas pós‑quânticas já são maduras e protegem o tráfego da internet. E o risco quântico difere fortemente entre blockchains, dependendo de sua arquitetura, desenho de consenso e tempos de bloco.

Do ponto de vista de engenharia, Pandl argumentou que o Bitcoin carrega um risco quântico menor que seus rivais devido ao seu modelo UTXO, ao consenso de prova de trabalho, à ausência de contratos inteligentes nativos e a certos tipos de endereços que resistem a ataques quânticos quando não reutilizados.

Leia também: Minerador solo ganha recompensa de US$ 210 mil em Bitcoin com pequeno hashrate, contra probabilidades de 28.000 para 1

O dilema das moedas de Satoshi

O problema mais difícil envolve cerca de 6,9 milhões de BTC em carteiras cujas chaves públicas já estão permanentemente visíveis on‑chain. Estima‑se que 1 milhão dessas moedas pertençam a Satoshi Nakamoto.

O cofundador da Binance, Changpeng Zhao levantou a questão na semana passada.

Ele disse que, se as moedas de Satoshi se moverem durante uma migração, "significa que ele ainda está por aí, o que é interessante saber". Se não se moverem, acrescentou, talvez seja melhor bloquear ou queimar esses endereços.

A Grayscale apresentou três opções: queimar as moedas expostas, não fazer nada ou limitar a taxa de gastos a partir de carteiras vulneráveis.

A empresa observou que a comunidade do Bitcoin tem um histórico de disputas acaloradas sobre o protocolo, citando o conflito do ano passado sobre dados de imagem armazenados em blocos.

Leia em seguida: O pior já passou para as ações? Tom Lee diz que 95% da liquidação de guerra já aconteceu

Isenção de responsabilidade e aviso de risco: As informações fornecidas neste artigo são apenas para fins educacionais e informativos e são baseadas na opinião do autor. Elas não constituem aconselhamento financeiro, de investimento, jurídico ou tributário. Ativos de criptomoedas são altamente voláteis e sujeitos a alto risco, incluindo o risco de perder todo ou uma quantia substancial do seu investimento. Negociar ou manter ativos cripto pode não ser adequado para todos os investidores. As opiniões expressas neste artigo são exclusivamente do(s) autor(es) e não representam a política oficial ou posição da Yellow, seus fundadores ou seus executivos. Sempre conduza sua própria pesquisa minuciosa (D.Y.O.R.) e consulte um profissional financeiro licenciado antes de tomar qualquer decisão de investimento.