Os bancos centrais correm o risco de perder o controle sobre o dinheiro se as stablecoins privadas lastreadas em dólar se tornarem a forma dominante de finanças tokenizadas, alertou na quarta-feira o governador do banco central da França, enquanto formuladores de políticas globais e executivos de cripto se dividem publicamente sobre quem deve ancorar a próxima phase of the financial system.
Falando em um discussion painel no Fórum Econômico Mundial, o governador François Villeroy de Galhau descreveu a tokenização não como uma atualização técnica, mas como uma questão de soberania, particularmente para economias emergentes que podem enfrentar uma dolarização acelerada se as moedas digitais privadas superarem o dinheiro público.
Soberania monetária versus emissão privada
Villeroy de Galhau disse que a tokenização reduzirá custos e melhorará a liquidação por meio de mecanismos de entrega contra pagamento, mas advertiu que o dinheiro continua sendo uma função pública ligada à responsabilidade democrática.
Ele argumentou que um futuro dominado por emissores privados, em grande parte sediados nos EUA, levantaria questões sérias para países que perdem autonomia monetária.
Para conter esse risco, ele disse que a Europa está priorizando a infraestrutura de moeda digital de banco central para atacado, confirmando um piloto neste ano voltado para liquidação de mercado financeiro em vez de pagamentos de varejo.
Bancos como infraestrutura confiável
Também participando da discussão, o diretor-presidente do Standard Chartered PLC, Bill Winters, disse que a maioria dos ativos acabará sendo liquidada em formato digital, mas o caminho dependerá da regulamentação em mais de 60 jurisdições.
Ele posicionou os bancos como custodiante confiáveis tanto dos instrumentos quanto da infraestrutura, argumentando que é improvável que os governos abram mão do controle dos “encanamentos” financeiros.
Winters disse que os tokens digitais funcionarão ou como meio de troca, em que o rendimento é secundário, ou como reserva de valor, em que os retornos importam, particularmente em economias em desenvolvimento com moedas locais fracas.
Infraestrutura de mercado e mercados de capitais
A CEO do Euroclear group, Valérie Urbain, descreveu a tokenização como uma evolução dos mercados de valores mobiliários, citando pilotos envolvendo títulos, commercial paper e colateral.
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Ela disse que a infraestrutura do mercado financeiro será crítica para a interoperabilidade entre ativos tokenizados e finanças tradicionais, e argumentou que o acesso facilitado e a liquidação mais rápida podem ajudar a mobilizar o grande volume de poupança da Europa em investimento.
Cripto defende acesso e competição
O fundador da Coinbase, Brian Armstrong, disse que a tokenização amplia o acesso ao investimento para bilhões de pessoas sem serviços de corretagem, descrevendo as stablecoins como o primeiro exemplo bem-sucedido.
Ele argumentou que os criptoativos oferecem uma reserva de valor alternativa quando a confiança nas moedas fiduciárias enfraquece e alertou contra regulamentações que impeçam as empresas de cripto de competir em igualdade de condições com os bancos.
Brad Garlinghouse, da Ripple (XRP), disse que é improvável que os governos abram mão do controle monetário, descrevendo a tokenização como uma ponte entre as finanças tradicionais e a blockchain, e não como um substituto.
Ele defendeu que a clareza regulatória é essencial e que a tokenização deve oferecer ganhos mensuráveis de eficiência ou transparência.
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