Anthropic afirmou que o Claude passa a expressar valores diferentes conforme a combinação de modelo e idioma escolhida pelo usuário, após analisar 309.815 conversas em 20 idiomas.
Principais pontos:
- A Anthropic analisou 309.815 conversas anônimas no Claude.ai, focadas em tarefas subjetivas, em três modelos e nos 20 idiomas mais usados na plataforma.
- Quatro eixos de valores — deferência versus cautela, cordialidade versus rigor, profundidade versus concisão e franqueza versus execução — explicam 15% da variação observada.
- A empresa diz ainda não saber em que medida essa variação é desejável.
Estudo da Anthropic mapeia eixos de valores do Claude
A empresa publicou o estudo na segunda‑feira, com base em conversas do Claude.ai coletadas ao longo de duas semanas em maio de 2026. A equipe partiu de 3.307 valores identificados em pesquisas anteriores e os agrupou manualmente em 339 categorias mais amplas. Uma ferramenta com preservação de privacidade rotulou cada conversa, e técnicas estatísticas de compressão reduziram esses rótulos a quatro eixos principais.
A amostra foi distribuída de forma equilibrada entre três modelos — Sonnet 4.6, Opus 4.6 e Opus 4.7 — e os 20 idiomas mais comuns na plataforma. Isso resultou em cerca de 5.000 conversas para cada par modelo‑idioma, todas focadas em tarefas subjetivas, e não em simples perguntas factuais.
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Valores do Claude variam conforme o idioma
Os quatro eixos contrapõem deferência à cautela, cordialidade ao rigor, profundidade à concisão e franqueza à execução. Juntos, eles explicam 15% da variação nos valores expressos, controlando por tarefa, assunto e pelos próprios valores do usuário. Em árabe, o Claude tende mais à deferência e à concisão; em inglês, pende para cautela e profundidade.
As respostas em hindi foram as mais cordiais, as em russo as mais rigorosas, e o holandês apresentou as confissões de erro mais francas.
Os autores admitem ainda não saber até que ponto esse grau de variação é positivo e apontam a assimetria dos dados de treino como uma provável causa. Alguns idiomas contam com muito mais conteúdo textual do que outros, e a composição desse conteúdo também difere. Assim, duas pessoas buscando avaliação do mesmo plano de negócios — uma em hindi e outra em russo — podem sair com percepções distintas sobre a qualidade do projeto, alertam os pesquisadores.
Pesquisa da Anthropic levanta dúvidas de timing
O artigo não traz exemplos concretos de o Claude raciocinar de forma diferente sobre uma questão moral em dois idiomas distintos, uma lacuna que críticos já apontaram. Comentadores também observaram que os três modelos analisados já são considerados legados, já que Opus 4.8, Fable 5 e Sonnet 5 foram lançados depois da coleta dos dados.
O trabalho se soma a uma longa série de pesquisas da Anthropic sobre seus próprios sistemas.
Em um projeto anterior, Values in the Wild, a empresa examinou 700.000 conversas anônimas e identificou mais de 3.000 valores distintos nas respostas do Claude. A Anthropic também já relatou resultados sobre vetores internos de emoção e sinais iniciais de autoconsciência introspectiva, insistindo em cada estudo que essas evidências não significam que o Claude possua valores próprios ou consciência.
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