Core Scientific planeja vender praticamente toda a sua reserva de Bitcoin (BTC) neste ano, redirecionando os recursos para uma aceleração na expansão de capacidade de data centers para IA.
A divulgação veio juntamente com o relatório de resultados do 4º trimestre de 2025, que mostrou tensões crescentes entre o legado de negócios de mineração da empresa e suas ambições em colocation.
Em seu relatório anual, a empresa sediada em Austin, Texas, afirmou que “atualmente espera monetizar substancialmente todas” as suas participações em Bitcoin em 2026, sujeitas às condições de mercado, para cobrir despesas de capital e necessidades de liquidez.
A companhia prevê que a maior parte das vendas ocorra no 1º trimestre de 2026.
O que aconteceu
A Core Scientific detinha 2.537 BTC em 31 de dezembro de 2025 – um aumento de quase dez vezes em relação aos 256 BTC no fim de 2024 – com valor justo contábil de US$ 222 milhões, a um preço médio de US$ 101.639 por moeda.
A empresa já havia vendido 1.900 BTC em janeiro por cerca de US$ 175 milhões, o que implica um preço médio próximo de US$ 92.000 por moeda. Isso deixa menos de 700 BTC restantes em tesouraria.
A receita do 4º trimestre foi de US$ 79,8 milhões, abaixo dos US$ 94,9 milhões de um ano antes. A receita com mineração de Bitcoin caiu de US$ 79,9 milhões no 4º trimestre de 2024 para US$ 42,2 milhões – uma queda de 47% ano a ano. Já a receita de colocation disparou 268%, de US$ 8,5 milhões para US$ 31,3 milhões.
O lucro líquido chegou a US$ 216 milhões, em comparação a um prejuízo de US$ 291 milhões no 4º trimestre de 2024, embora o EBITDA ajustado tenha ficado negativo em US$ 42,7 milhões.
O CEO Adam Sullivan disse na teleconferência de resultados que a empresa espera que cada megawatt em seu portfólio esteja dedicado a colocation dentro de três anos.
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Por que isso importa
A Core Scientific não está sozinha nessa mudança de foco. A Cango recentemente vendeu 4.451 BTC para financiar operações relacionadas a IA. A Bitdeer reduziu suas reservas de BTC a zero. A ex-mineradora Bitfarms se rebatizou como Keel Infrastructure, declarando que “não é mais uma empresa de Bitcoin”.
O padrão observado em várias empresas aponta para uma deterioração da economia da mineração de Bitcoin – o preço atual do BTC está bem abaixo do custo estimado de produção para muitos operadores – combinada com a disparada da demanda por infraestrutura de computação para IA.
A relação comercial da Core Scientific com a CoreWeave sustenta sua tese de colocation: um contrato de mais de US$ 10 bilhões ao longo de 12 anos cobre 590 megawatts de capacidade de hospedagem.
A empresa mira um pipeline locável de 1,5 gigawatt até 2028. A liquidez total era de US$ 533,4 milhões ao fim do ano, composta por US$ 311,4 milhões em caixa e US$ 222 milhões em Bitcoin – este último agora sendo reduzido.
As ações CORZ shares acumulam alta de cerca de 62% no último ano, sendo negociadas em torno de US$ 16,49.
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