Sam Bankman-Fried, o fundador condenado da corretora de criptomoedas FTX, entrou com uma moção para um novo julgamento no tribunal federal de Manhattan na terça-feira, argumentando que depoimentos de testemunhas suprimidos poderiam refutar o caso da acusação contra ele.
A moção foi apresentada pro se – o que significa que Bankman-Fried está se representando – após ele ter demitido seu advogado de apelação na semana passada.
Sua mãe, a professora de ética em Direito de Stanford Barbara Fried, protocolou o pedido em seu nome a partir da prisão, onde ele cumpre uma pena de 25 anos.
O que aconteceu
A moção, datada de 5 de fevereiro e registrada na terça-feira, invoca a Regra 33 das Regras Federais de Processo Penal e a cláusula do devido processo da Constituição dos EUA. A Regra 33 permite que réus solicitem um novo julgamento dentro de três anos após um veredicto de culpa com base em provas recém-descobertas.
Bankman-Fried argumentou no pedido que a FTX “sempre teve ativos suficientes para reembolsar integralmente os depósitos dos clientes” e que a corretora enfrentou “uma crise de liquidez de curto prazo causada por uma corrida à corretora, não insolvência”. Ele alegou que seu direito a um julgamento justo foi violado.
A moção incluiu o que Bankman-Fried descreveu como o potencial depoimento de dois ex-insiders da FTX. Daniel Chapsky, ex-chefe de ciência de dados da FTX, teria afirmado que alegações de bilhões em perdas irrecuperáveis de clientes eram falsas. Ryan Salame, ex-co-CEO da FTX Digital Markets, teria contestado várias alegações da acusação.
Ambos disseram ter tido medo de testemunhar no julgamento original.
O cenário jurídico
Essa moção é separada de uma apelação formal apresentada em setembro de 2024, que contestou a condução do julgamento pelo juiz Lewis Kaplan.
Essa apelação foi sustentada perante o Segundo Circuito em novembro de 2025 e continua pendente.
Bankman-Fried foi condenado em novembro de 2023 por sete acusações de fraude e conspiração ligadas ao colapso da FTX e à apropriação indevida de cerca de US$ 10 bilhões em fundos de clientes. Ele foi sentenciado a 25 anos de prisão e obrigado a perder US$ 11 bilhões.
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Por que isso importa
Especialistas jurídicos têm descrito de forma consistente as chances de Bankman-Fried como remotas. Moções com base na Regra 33 raramente têm sucesso, e o réu deve demonstrar que a prova não estava disponível no julgamento e provavelmente levaria à absolvição.
Enquanto isso, Bankman-Fried tem publicado no X por meio de um intermediário, comparando sua acusação à “lawfare” da era Biden contra a indústria de criptomoedas e tentando se alinhar ao presidente Donald Trump, alegando que ambos enfrentaram acusações com motivação política.
Essa estratégia não ganhou tração – Trump disse ao New York Times no mês passado que não tem intenção de conceder perdão.
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