Layer 2 explicada: por que os blockchains precisam de uma segunda camada e como isso resolve o problema de escalabilidade

Layer 2 blockchain scaling solutions explained, covering rollups, ZK proofs and how they reduce Ethereum transaction fees (Image: Shutterstock)
Layer 2 blockchain scaling solutions explained, covering rollups, ZK proofs and how they reduce Ethereum transaction fees (Image: Shutterstock)

As redes de segunda camada hoje processam mais de 58 vezes o volume de transações do Ethereum (ETH) no mainnet, protegendo em conjunto mais de US$ 40 bilhões em valor. O que começou como um “jeitinho” técnico para aliviar o congestionamento dos blockchains virou a arquitetura-padrão de escalabilidade para toda a indústria cripto.

Resumo rápido

  • Layer 2 é uma rede construída sobre um blockchain-base, que processa transações fora da cadeia principal, mas depende dela para segurança e liquidação final.
  • Rollups dominam o universo L2: agregam centenas de transações em lotes comprimidos enviados ao Ethereum, reduzindo taxas em 90% a 99%.
  • O ecossistema L2 enfrenta trade-offs reais, como vulnerabilidades em pontes, fragmentação de liquidez e um déficit de descentralização que a maioria dos usuários subestima.

O que é Layer 2 em blockchain?

A Ethereum Foundation define Layer 2 como um blockchain separado que estende o Ethereum e herda suas garantias de segurança. A palavra-chave é “herda”. Diferente de blockchains independentes ou sidechains, uma L2 verdadeira não existe nem consegue assegurar fundos sem a cadeia-base por baixo.

Na prática, o conceito é simples. Usuários enviam transações para a rede L2. Um sequenciador ordena e executa essas transações em alta velocidade. A L2 então agrupa centenas ou milhares delas em lotes comprimidos e publica esses lotes de volta no mainnet do Ethereum.

Pense em um sistema judiciário de uma grande cidade. O fórum é seguro e tem autoridade máxima, mas é caro e lento demais para resolver cada pequena disputa.

A maior parte dos casos é solucionada fora do tribunal e só vai a julgamento quando há contestação. As L2 funcionam da mesma forma para blockchains.

Um contrato inteligente na Layer 1 mantém um compromisso criptográfico com o estado da L2. O mainnet do Ethereum só precisa verificar um resumo ou uma prova, em vez de reexecutar cada transação. É assim que os rollups conseguem reduzir drasticamente custos, preservando a segurança de um conjunto globalmente descentralizado de validadores.

Layer 2 não substitui a Layer 1. É uma extensão que permite à cadeia-base fazer mais, sem abrir mão do que a torna valiosa em primeiro lugar.

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Por que os blockchains precisam de uma segunda camada

Todo blockchain enfrenta uma tensão básica: quer ser seguro, descentralizado e rápido ao mesmo tempo. Escalar esses três vetores simultaneamente é extremamente difícil.

Vitalik Buterin formulou esse dilema em 2017 como o “trilema da escalabilidade”. A ideia é que arquiteturas simples de blockchain vivem um conflito estrutural entre três propriedades: descentralização (baixo custo para rodar um nó, permitindo ampla participação), segurança (tornar caríssimo corromper uma grande parte da rede) e escalabilidade (alta capacidade de processar transações).

Um blockchain ingênuo consegue otimizar duas dessas dimensões às custas da terceira.

A própria camada-base do Ethereum ilustra esse conflito com precisão.

A rede processa algo em torno de 15 a 30 transações por segundo. Isso é aceitável para uma camada de liquidação apoiada por cerca de 1 milhão de validadores, mas entra em colapso quando milhões de usuários tentam fazer atividades em escala de internet. Em picos de demanda, o gas já disparou historicamente para US$ 50 a US$ 100 por transação, expulsando a maior parte dos usuários.

Layer 2 existe porque a cadeia-base, sozinha, não consegue suportar atividade em escala de internet: ou fica lenta demais, ou cara demais — ou ambos.

O próprio Buterin observou, em outubro de 2024, que o trilema não é um teorema matemático. Em janeiro de 2026, ele declarou que o problema havia sido resolvido “com código rodando”, citando a chegada do PeerDAS e de ZK-EVMs em produção. A combinação de uma base enxuta focada em liquidação com camadas de execução especializadas em throughput representa a solução prática.

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Como Layer 2 resolve o problema de escalabilidade

As L2 atacam o gargalo por meio de vários mecanismos combinados. Tudo começa deslocando a execução: o grosso do processamento ocorre na máquina virtual própria da L2, e não na máquina de estado replicada globalmente do Ethereum.

O segundo mecanismo é o batching de transações. Rollups comprimem centenas de transações em um único envio para a L1, diluindo o custo fixo de gas entre todos os participantes. Uma simples transferência ERC-20 que consome cerca de 45.000 gas na L1 cai para menos de 300 gas em um rollup, segundo estimativas de Buterin.

Em terceiro lugar, esse batching reduz o congestionamento na L1.

Hoje, L2s já respondem por mais de 60% do volume total de transações do Ethereum. Isso alivia a pressão sobre o mainnet e ajuda a manter taxas mais baixas para todos.

Em quarto, o papel do Ethereum evolui para camada de liquidação e disponibilidade de dados. A L1 fornece finalidade de consenso, armazenamento de dados e garantias de segurança apoiadas por cerca de 1 milhão de validadores e cerca de US$ 78 bilhões em Ether em staking.

O ganho de custo é expressivo:

  • Taxas de transação em L2s giram em torno de US$ 0,08, ante US$ 3,78 no mainnet do Ethereum no 1º tri de 2025
  • Um swap DeFi custa cerca de US$ 0,03 na Arbitrum, contra vários dólares na L1
  • O deploy de contratos caiu de cerca de US$ 847 na L1 para algo em torno de US$ 42 na L2

Desde o upgrade Dencun, em março de 2024, L2s passaram a publicar dados via transações em blobs, em vez de calldata tradicional. Blobs são blocos temporários de 128 KB armazenados na camada de consenso do Ethereum por cerca de 18 dias antes de serem descartados. Essa mudança sozinha reduziu o custo de publicação de dados das L2 em um fator de 10 a 100, detonando uma explosão de atividade nas segundas camadas.

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Layer 1 vs. Layer 2: qual é a diferença?

Muitos confundem “escalar um blockchain” com “construir em cima dele”. A distinção é fundamental. Layer 1 mexe no próprio protocolo-base, enquanto Layer 2 adiciona capacidade sem redesenhar toda a cadeia.

A L1 do Ethereum processa transações por meio de cerca de 1 milhão de validadores em um sistema de proof-of-stake. Todo nó verifica cada transação. Isso torna o sistema extremamente seguro, mas lento: algo entre 15 e 30 tps, com blocos a cada 12 segundos.

Redes de Layer 2 invertem esse modelo. Um único sequenciador centralizado ordena transações em poucos milissegundos. A execução acontece na máquina virtual própria da L2. Só provas comprimidas ou resumos de dados são enviados de volta para a L1 para verificação.

O resultado é throughput entre 1.000 e 4.000 tps, blocos abaixo de 1 segundo e custos médios entre US$ 0,01 e US$ 0,08 por transação.

O modelo de “herança de segurança” é o que diferencia L2s de sidechains.

Ao publicar dados de transação na L1, rollups garantem que reverter uma transação em rollup exigiria reverter o próprio Ethereum. Se o sequenciador se comporta mal ou censura transações, os usuários mantêm a capacidade de sacar fundos diretamente via contratos inteligentes no mainnet. Ainda assim, a maior parte das L2 hoje depende de sequenciadores centralizados, o que gera risco temporário de censura — embora não de roubo.

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Os principais tipos de redes Layer 2

Layer 2 não é uma tecnologia única. É uma família de abordagens, cada qual com arquitetura, suposições de confiança e trade-offs próprios.

Rollups

Rollups executam transações fora da cadeia, mas publicam os dados dessas transações no Ethereum para verificação. Eles se tornaram o modelo dominante de L2 porque, ao contrário de state channels ou do design Plasma mais antigo, suportam contratos inteligentes arbitrários com total compatibilidade com a EVM. Não exigem que usuários mantenham capital travado permanentemente nem disponibilidade contínua, e preservam a composabilidade do DeFi.

Rollups se dividem em duas grandes famílias, de acordo com a forma de provar correção.

Optimistic Rollups

Optimistic rollups partem do princípio de que as transações são válidas, a menos que alguém as conteste. Uma janela de prova de fraude, tipicamente de sete dias, permite que qualquer observador questione transições de estado inválidas. Basta que exista um único verificador honesto para que a segurança se mantenha.

Os principais optimistic rollups incluem:

  • Arbitrum One, lançada em agosto de 2021, com cerca de US$ 18 bilhões em valor total protegido e status Stage 1 no L2Beat
  • OP Mainnet, que alcançou Stage 1 com provas de falha ativas desde junho de 2024
  • Base, construída sobre o OP Stack pela Coinbase, a L2 que mais cresce, com cerca de 46,6% do valor total travado em DeFi nas L2

O OP Stack hoje responde por 69,9% de todas as taxas de transação em L2, com 34 cadeias OP ao vivo sob o guarda-chuva da Superchain.

ZK Rollups

ZK rollups utilizam provas de conhecimento zero para demonstrar criptograficamente que todas as transações de um lote são válidas. Uma vez verificada na L1, a atualização de estado é aceita imediatamente. Não há período de contestação, o que permite retiradas em minutos, em vez de dias.

Entre os principais ZK rollups estão zkSync Era, StarkNet (que se tornou o primeiro ZK rollup a alcançar Stage 1 de descentralização em maio de 2025), Scroll e Linea (desenvolvida pela ConsenSys).

State Channels

State channels funcionam travando fundos em um contrato on-chain e, a partir daí, trocando estados assinados fora da cadeia entre as partes, que só recorrem à L1 em caso de disputa ou para encerrar o canal. atualizam estados fora da cadeia e só depois liquidam o estado final on-chain. A Lightning Network do Bitcoin (BTC) é o exemplo mais emblemático. Ela atingiu capacidade recorde de 5.637 BTC em dez. de 2024 e hoje opera com cerca de 14.940 nós e aproximadamente 48.678 canais.

No Ethereum, a Raiden Network está, na prática, encerrada. Embora tenha concluído toda a implementação, não houve adoção relevante. Os rollups se mostraram uma solução claramente superior para escalabilidade de uso geral.

Validiums e modelos híbridos

Validiums utilizam provas de validade como os ZK rollups, mas armazenam os dados das transações fora da cadeia, com um Comitê de Disponibilidade de Dados, em vez de gravá-los no Ethereum. Isso reduz drasticamente os custos e permite entre 9.000 e 20.000 transações por segundo, ao custo de novas suposições de confiança.

A plataforma StarkEx, da StarkWare, pioneirou esse modelo, processando mais de US$ 1 trilhão em volume negociado somado em plataformas como Immutable X, Sorare e Rhino.fi.

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Plataforma DeFi Moonwell sofre com erro de configuração em oráculo que gerou US$ 1,78 milhão em dívida incobrável (Imagem: Shutterstock)

Rollups em termos simples

Como os rollups dominam a discussão moderna sobre L2, vale olhar com mais cuidado. A lógica básica é intuitiva.

Em vez de o Ethereum validar, uma a uma, dez mil compras de café, uma solução de segunda camada agrupa essas operações, processa tudo em outro ambiente e envia um único resultado comprimido para a camada base. A L1 só precisa verificar se o resumo é válido. Todo o restante ocorre “nos bastidores”.

Em 2 de out. de 2020, Vitalik Buterin publicou seu roadmap “rollup-centric” para o Ethereum.

Ele argumentou que, em vez de esperar pela fragmentação completa de execução (execution sharding), o Ethereum deveria otimizar a camada base para disponibilidade de dados de rollups, deixando a execução a cargo das L2.

A visão acabou se confirmando.

O upgrade de blobs da EIP-4844, em mar. de 2024, foi a implementação mais decisiva dessa rota. Antes dos blobs, publicar dados referentes a 2.490 transferências custava aos rollups cerca de US$ 194 em taxas de calldata. Depois dos blobs, esse mesmo volume passou a custar frações de centavo. A Base viu um salto de 224% no volume de transações após o Dencun. As taxas da Arbitrum caíram 92%.

Olhando adiante, o danksharding completo, previsto de forma ampla para 2026-2027, deve elevar o limite de seis blobs por bloco para 64.

Isso permitiria que o Ethereum suportasse centenas de rollups, com throughput combinado superior a 100.000 transações por segundo. No entanto, em 2025, Buterin reavaliou o roadmap centrado em rollups. Ele observou que a descentralização das L2 avançou muito mais lentamente do que o projetado.

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O que o usuário comum realmente ganha com uma L2

Muitos textos sobre L2 são abstratos demais. A pergunta prática é simples: o que muda para as pessoas?

Na prática, tudo fica mais barato e mais rápido. Um swap DeFi que custava US$ 15-30 na mainnet hoje sai por centavos em uma L2. Cunhar um NFT que exigia US$ 50 em gás no Ethereum pode custar menos de US$ 0,20 em um rollup. Transações de jogos, inviáveis a US$ 5 cada, tornam-se viáveis a frações de centavo.

Os números de adoção mostram uma migração clara:

  • As L2 já processam 5,19 vezes o volume de transações da mainnet do Ethereum
  • São mais de 25 milhões de transações diárias em L2, contra cerca de 1,65 milhão na L1
  • A Base chegou ao pico de 34,58 milhões de usuários mensais ativos e 103 milhões de transações mensais
  • Usuários varejistas em L2 cresceram 42% ano a ano em 2025
  • O valor total travado em L2 saltou de algo em torno de US$ 4 bilhões no início de 2023 para máxima histórica de US$ 51,5 bilhões em nov. de 2024

Stablecoins já respondem por mais de 70% de todo o volume transacionado em L2. Só a Base concentra 18% do market share de stablecoins, ante 0,7% no começo de 2024.

Aplicativos sociais como o Farcaster nasceram diretamente na Base, explorando taxas de frações de centavo para interações sociais on-chain. Estúdios de games adotaram cadeias de aplicação específicas em L2. Todo o ecossistema DeFi está se reestruturando em torno da economia das L2.

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Os trade-offs: o que a Layer 2 não resolve de forma perfeita

Layer 2 não é varinha mágica. Uma análise séria precisa encarar os riscos concretos.

Vulnerabilidades em bridges

Bridges cross-chain criam pools centralizados de liquidez bloqueada, alvo preferencial de atacantes. A Chainalysis estimou perdas de US$ 2 bilhões em apenas 13 ataques a bridges em 2022, o que representou 69% de todo o valor roubado em cripto naquele ano.

Entre os piores casos estão o ataque à Ronin Bridge, em mar. de 2022, quando o grupo Lazarus drenou US$ 625 milhões comprometendo cinco das nove chaves de validadores. A Poly Network perdeu US$ 612 milhões em um exploit de controle de acesso. A BNB Bridge foi drenada em US$ 566 milhões por um bug no verificador de provas. A Wormhole perdeu US$ 326 milhões devido a uma falha na verificação de assinaturas.

A segurança das bridges evoluiu desde então. Arquiteturas zero-TVL, protocolos de bridging baseados em intents e verificação via light-clients ZK trazem avanços relevantes. Mas as bridges continuam sendo a maior superfície de ataque do ecossistema.

Fragmentação de liquidez

Com mais de 50 rollups ativos, a liquidez do Ethereum se encontra em pools isolados. Smart contracts em um rollup não conseguem chamar diretamente contratos em outro, quebrando a composabilidade que tornou o DeFi do Ethereum tão poderoso no início.

A Ethereum Foundation lançou, em fev. de 2025, o Open Intents Framework, já com 30 participantes. O padrão ERC-7683 padroniza intents cross-chain e conta com 35 projetos aderentes. Ainda assim, a experiência do usuário segue fragmentada. O próprio Buterin reconheceu que o ecossistema de L2 ainda não passa a sensação de um “Ethereum único”.

O déficit de descentralização

Uma análise acadêmica de 129 projetos de L2 apontou que cerca de 86% permitem upgrades instantâneos sem janelas de saída. Isso significa que controladores dos contratos, em tese, poderiam alterar o comportamento da L2 sem dar tempo para que usuários retirem seus fundos. Quase 50% têm controles de proponente capazes de congelar saques.

O framework de Stages do L2Beat classifica a descentralização das L2 em três níveis. O Stage 0 cobre os requisitos mínimos de rollup. O Stage 1 implica “rodinhas de treino” limitadas. O Stage 2 significa confiança plena na ausência de intermediários. Nenhuma grande L2 de uso geral atingiu o Stage 2 até agora. Praticamente todas as L2 relevantes ainda operam com um único sequenciador centralizado, que controla a ordem das transações.

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Por que Layer 2 importa além do Ethereum

A lógica de segunda camada vai muito além do universo Ethereum.

A Lightning Network do Bitcoin opera com princípios fundamentalmente diferentes dos rollups do Ethereum. Na Lightning, o mecanismo se baseia em canais de pagamento — acordos bilaterais em que as partes trocam atualizações de estado assinadas fora da cadeia e só liquidam, on-chain, as transações de abertura e fechamento dos canais. O volume cresceu 266% ano a ano, mesmo com queda no número de nós, o que indica consolidação em torno de operadores profissionais.

A atualização Taproot Assets da Lightning Labs, em dez. de 2025, habilitou transferências multiativos, incluindo stablecoins, com potencial para transformar a Lightning em uma rede de pagamentos multicamadas e multimoedas. A Tether também lançou o USDT (USDT) na Lightning via Taproot Assets em jan. de 2025.

O movimento mais amplo é o desenho modular de blockchains. Em vez de uma única cadeia fazer tudo, o setor vem separando execução, liquidação, disponibilidade de dados e consenso em camadas especializadas.

A Celestia (TIA) lançou sua mainnet em out. de 2023 como camada dedicada de disponibilidade de dados, processando mais de 160 GB de dados de rollups a cerca de US$ 0,81 por megabyte. A EigenDA se apoia na infraestrutura de restaking do Ethereum. A Avail, do ecossistema Polygon, se posiciona como solução agnóstica de cadeia, com mais de 70 parcerias.

Até a Solana (SOL), historicamente defensora da escalabilidade em camada única (L1 monolítica), já vê iniciativas embrionárias de L2, após os congestionamentos da explosão de memecoins em 2024 terem levado a mais de 75% de falhas nas transações não relacionadas a votos nos períodos de pico.

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Como a Layer 2 redefine o futuro do design de blockchains

O futuro das blockchains não é uma única cadeia gigante fazendo tudo. É um sistema em camadas no qual a base protege a “verdade” e as camadas superiores cuidam da velocidade.

O Ethereum converge para um desenho arquitetônico relativamente claro. A L1 torna-se um motor global de liquidação, otimizado para consenso e disponibilidade de dados. A execução migra para cima, para L2 especializadas.

O danksharding completo deve ampliar de seis para 64 blobs por bloco, permitindo que o ecossistema suporte centenas de rollups com throughput combinado acima de 100.000 transações por segundo. O PeerDAS, entregue no upgrade Pectra em mai. de 2025, cumpriu cerca de 60% dos requisitos técnicos desse plano.A abstração de cadeia ganhou força como principal narrativa de UX em 2024 e 2025. A premissa é simples: o usuário deve interagir com as aplicações sem precisar saber — ou se importar — em qual blockchain está operando. O EIP-7702, parte do pacote Pectra, leva funcionalidades típicas de smart accounts para carteiras padrão.

As implicações em nível setorial são profundas:

  • Pagamentos passam a contar com custos abaixo de um centavo e confirmações em frações de segundo, com USDC na Base, USDt na Lightning e PYUSD em diversas L2s tornando pagamentos em cripto viáveis no varejo do dia a dia
  • O DeFi se aproxima de US$ 237 bilhões em valor total bloqueado, enquanto a tokenização de ativos do mundo real já soma US$ 33,91 bilhões
  • dApps de games respondem por 25% das carteiras Web3 ativas, apoiadas em L2s específicas por aplicativo que viabilizam gameplay on-chain em tempo real
  • A adoção corporativa acelera à medida que a regulação avança, com o MiCA, na União Europeia, exigindo explicitamente garantias verificáveis de disponibilidade de dados

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Mitos Comuns Sobre Layer 2

Vários equívocos ainda rondam a tecnologia de L2. Vale enfrentá-los de forma direta.

O primeiro mito é que Layer 2 seria apenas outra blockchain, sem ligação de segurança com a camada base. L2s de fato derivam sua segurança da L1 por meio de fraud proofs ou validity proofs. Sem o Ethereum, uma L2 “do Ethereum” não teria garantias de segurança. Sidechains com consenso próprio são, do ponto de vista de arquitetura, outra categoria de solução — diferentes de rollups, embora a terminologia seja frequentemente confundida.

O segundo mito é que Layer 2 substitui a Layer 1. A relação é de simbiose. A L1 oferece liquidação final, segurança econômica via cerca de US$ 78 bilhões em Ether em staking, disponibilidade de dados e o “tribunal” para resolver disputas. As L2s dependem de tudo isso.

O terceiro mito é que todas as L2s seriam iguais. As diferenças são profundas. Rollups otimistas se apoiam em segurança econômica com janelas de contestação de sete dias. ZK rollups usam segurança criptográfica com finalização quase imediata. Mesmo dentro das categorias, há nuances: Arbitrum utiliza fraud proofs interativos em múltiplas rodadas, enquanto a Optimism (OP) adota provas em rodada única. A StarkNet usa STARKs, resistentes a ataques quânticos, enquanto a zkSync utiliza SNARKs.

O quarto mito é que “mais barato” significa “menos seguro”. Os custos em L2 caem graças à eficiência, não à redução de segurança. Rollups empacotam centenas de transações em um único envio para a L1. Cada transação herda a segurança integral do conjunto de validadores do Ethereum, mas a parcela de custo de liquidação por operação se torna mínima.

O quinto mito é que Layer 2 seria coisa apenas para “heavy users” do Ethereum. A Base já atingiu o pico de 34,58 milhões de usuários mensais ativos. Muitos interagem com L2s sem sequer perceber, usando aplicativos como Coinbase Wallet, que abstraem completamente a cadeia subjacente.

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Afinal, O Que É Layer 2?

Layer 2 existe porque a cadeia base, sozinha, não consegue sustentar atividade em escala de internet sem ficar lenta demais ou cara demais. A segunda camada é o compromisso que permite que blockchains cresçam sem abrir mão da segurança da primeira.

Voltando à analogia da cidade: nenhuma metrópole resolve congestionamento ao forçar todos os carros a trafegar por uma única via estreita. É preciso um segundo nível de infraestrutura viária — marginais, anéis, vias expressas. A via principal continua existindo, mas nem todo veículo precisa atravessar o centro em passo de tartaruga em cada trecho do trajeto.

É exatamente esse o papel da Layer 2 nas blockchains. Ela preserva a camada base como registro definitivo da verdade, enquanto desloca o alto volume de atividade cotidiana para um ambiente mais rápido e barato.

Os dados mostram essa mudança de forma clara. Mais de US$ 40 bilhões sob segurança de L2s. Capacidade de processamento mais de 58 vezes superior à do mainnet. Redução de taxas entre 90% e 99%. Mais de 65% dos novos contratos inteligentes já são implantados em L2s, não na rede principal.

Conclusão

Layer 2 deixou de ser um tópico periférico em cripto. Hoje é um dos principais caminhos pelos quais blockchains tentam se tornar utilizáveis por pessoas comuns, em escala real.

O roadmap centrado em rollups, desenhado em 2020, foi em grande parte validado. Mas o ecossistema ainda carrega desafios relevantes em aberto. A segurança de bridges continua sendo uma superfície de ataque que movimenta bilhões. A fragmentação de liquidez prejudica a experiência do usuário em um cenário com dezenas de rollups isolados. E o “déficit de descentralização” — com 86% das L2s ainda sem janelas de saída adequadas e nenhuma grande L2 tendo alcançado o chamado Stage 2 de confiança minimizada — é hoje a fronteira mais crítica.

O futuro da blockchain provavelmente não será uma única grande cadeia fazendo tudo. O cenário mais plausível é um sistema em camadas, em que a base protege a verdade e as camadas superiores entregam velocidade. Se as L2s vão cumprir integralmente essa promessa depende de quão rápido conseguirão fechar o “gap de confiança” que ainda as separa dos ideais que se propuseram a ampliar.

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Murtuza Merchant

Murtuza é um jornalista financeiro experiente, com ampla atuação na cobertura de criptomoedas e tecnologia blockchain. Divulgação: Murtuza possui ATOM, AKT, TIA, INJ e OSMO.

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