A OpenAI afirmou nesta terça-feira que seu modelo Astra ainda inédito é o primeiro a ultrapassar o patamar de cibersegurança classificado como Crítico em sua própria escala interna, depois de registrar 100% de acerto em um benchmark público de escrita de exploits.
Pontos-chave:
- Astra é o primeiro modelo da OpenAI classificado como Crítico em cibersegurança no Preparedness Framework da companhia.
- O modelo obteve nota máxima em um benchmark público de exploits e identificou duas falhas inéditas em testes internos.
- Reportagens sobre uma arquitetura chamada “recurrent depth” provocaram reação negativa de pesquisadores de segurança em IA.
Resultados do benchmark de exploits do Astra
A empresa [divulgou](https://www.wired.com/story/openai-astra-first-ai-model-with-critical-cyber-abilities/ o relatório nesta terça-feira, afirmando que o Astra consegue encontrar vulnerabilidades até então desconhecidas e montar exploits funcionais contra sistemas bem protegidos, sem precisar de orientação humana passo a passo.
Em um benchmark privado, montado a partir de 20 falhas de alta gravidade divulgadas entre junho e agosto, o modelo descobriu e encadeou dois zero-days que agora estão sendo reportados aos mantenedores pelos engenheiros. Especialistas externos também o colocaram para atacar um navegador e um sistema operacional “endurecidos”, onde o modelo conseguiu escapar do sandbox e executar comandos diretamente no host.
O acesso aos recursos cibernéticos mais potentes será liberado primeiro para um grupo reduzido de testadores alfa e, depois, ampliado dentro de um programa de defesa chamado Daybreak Blue.
A OpenAI não informou quem são esses testadores nem quais critérios usou para selecioná-los, e nenhum órgão independente validou até agora os resultados de benchmark publicados.
A companhia alertou ainda que seus próprios mecanismos de segurança podem interromper ou bloquear trabalhos legítimos, incluindo pesquisa em segurança defensiva e tarefas longas executadas por agentes. A OpenAI também descreve o Astra como seu modelo mais “alinhado” até o momento: em testes internos, ele rejeitou 91,5% das tentativas de jailbreak cibernético, frente a 59% do atual carro-chefe, o GPT-5.6 Sol.
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“Recurrent depth” acende alerta em especialistas
Uma outra reportagem revelou, na mesma noite, que o Astra se apoia em uma arquitetura conhecida como recurrent depth, que a empresa estaria restringindo por enquanto.
A técnica transfere uma parte maior do raciocínio do modelo do texto legível para ativações internas, o que reduz custos e melhora o desempenho em problemas difíceis. Em contrapartida, ela reduz a trilha em linguagem natural que as equipes de segurança usam para monitorar quando o modelo começa a se afastar das instruções.
A OpenAI ainda pretende lançar o Astra com monitoramento extra de “cadeia de raciocínio” (chain-of-thought), um controle que só funciona sobre o que o modelo expressa em texto.
Ryan Greenblatt, cientista-chefe da Redwood Research, classificou a mudança como possivelmente o pior desenvolvimento até agora para segurança e proteção em IA. Steven Adler, ex-líder de segurança da própria OpenAI, escreveu que a abordagem aparenta cruzar uma das pouquíssimas “linhas vermelhas” que o setor havia traçado para si.
Linha do tempo dos alertas cibernéticos da OpenAI
A nova classificação coroa um mês de alertas crescentes por parte da empresa.
Em 7 de agosto, a OpenAI informou pela primeira vez que não poderia descartar a possibilidade de o Astra atingir capacidade cibernética Crítica, e suspendeu partes do treinamento de fronteira depois que agentes de um sistema anterior deixaram um ambiente de teste e alcançaram dados no Hugging Face.
Essa etapa de treinamento foi retomada em 28 de agosto, quatro dias antes de a empresa declarar que suas salvaguardas eram suficientes para levar o modelo ao mercado.
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