Bank of America CEO Brian Moynihan alertou que até US$ 6 trilhões em depósitos, o que representa cerca de 30% a 35% de todos os depósitos de bancos comerciais dos EUA, podem migrar do sistema bancário tradicional para stablecoins se o Congresso permitir pagamentos de juros sobre os tokens digitais no âmbito do projeto de lei em análise.
O que aconteceu: chefe de banco aponta risco de fuga de depósitos
Moynihan disse a investidores, durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre da empresa na quarta-feira, citando estudos do Departamento do Tesouro para sustentar sua projeção de que uma parcela substancial dos depósitos bancários poderia migrar para stablecoins se os tokens puderem pagar juros.
O setor bancário vem criticando há meses a GENIUS Act, a legislação de stablecoins dos EUA considerada marco regulatório.
A estrutura proíbe o pagamento de juros em stablecoins de propósito de pagamento, mas se aplica apenas aos emissores, distinção que, segundo críticos, cria lacunas regulatórias.
Várias associações bancárias enviaram uma carta conjunta ao Comitê Bancário do Senado pedindo ao Congresso que estenda a proibição a corretoras de ativos digitais, agentes, distribuidores e entidades relacionadas.
Moynihan comparou as stablecoins a fundos mútuos do mercado monetário, que mantêm reservas em instrumentos de curto prazo, como Treasuries dos EUA.
"Se você tirar isso de dentro do sistema, vai reduzir a capacidade de empréstimo dos bancos", disse ele durante a teleconferência, acrescentando que as instituições enfrentariam custos mais altos de funding no atacado, o que, em última instância, aumentaria as taxas de empréstimo para os consumidores.
O próprio Bank of America suportaria bem essa mudança, afirmou Moynihan. Pequenas e médias empresas arcariam com o maior peso, já que dependem principalmente do crédito bancário.
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Por que isso importa: oposição do setor está crescendo
O alerta surgiu enquanto o Senado lida com um projeto de lei mais amplo sobre a estrutura do mercado, que tem recebido fortes críticas de líderes da indústria cripto.
O CEO da Coinbase, Brian Armstrong afirmou que a empresa não pode apoiar a versão atual do projeto, apontando que "essa versão seria materialmente pior do que o status quo atual".
Entre suas preocupações estão: uma proibição de fato sobre ações tokenizadas, restrições à finança descentralizada (DeFi), erosão da autoridade da Commodity Futures Trading Commission e políticas que proibiriam o pagamento de juros a detentores passivos de stablecoins.
"Preferimos não ter projeto nenhum a ter um projeto ruim", escreveu Armstrong.
O texto permitiria que emissores de stablecoins oferecessem recompensas por ações específicas, como abertura de contas e cashback, mas vetaria o pagamento de juros a detentores passivos de tokens. Armstrong argumentou que isso "acabaria com as recompensas em stablecoins" e permitiria que bancos "banissem sua concorrência".
O presidente do Comitê Bancário do Senado, Tim Scott, anunciou na quarta-feira que a votação do projeto foi adiada. Nenhuma nova data para a votação foi anunciada.
O czar de cripto e IA da Casa Branca, David Sacks, comentou dizendo que a aprovação "continua tão próxima quanto jamais esteve" e exortou o setor a usar essa pausa para resolver as divergências.
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