Os ETFs à vista de Bitcoin (BTC) nos Estados Unidos atraíram US$ 999 milhões na segunda-feira, no maior fluxo diário em 11 meses, enquanto a principal criptomoeda chegou a superar momentaneamente a marca de US$ 87 mil.
Destaques:
- ETFs à vista de Bitcoin captaram quase US$ 1 bilhão em 21 de setembro, o maior volume desde 6 de outubro de 2025.
- O Bitcoin encostou em cerca de US$ 87.300 antes de recuar para a região de US$ 85.400 na terça-feira.
- Analistas atribuem o movimento à volta do apetite institucional e à recompra de vendidos, enquanto indicadores de sentimento ligam o alerta.
Forte entrada nos ETFs de Bitcoin
Os fluxos líquidos alcançaram US$ 998,95 milhões em 21 de setembro, segundo dados da SoSoValue. O IBIT, da BlackRock, liderou com US$ 381,4 milhões, seguido pelo ARKB, da Ark Invest em parceria com a 21Shares, com US$ 289,1 milhões, e pelo FBTC, da Fidelity, com US$ 238,8 milhões.
A última vez em que a categoria havia captado mais foi em 6 de outubro de 2025, quando os ETFs absorveram US$ 1,2 bilhão em apenas uma sessão.
Os fundos à vista de Ether (ETH) também tiveram um dia forte, com entradas de US$ 269,98 milhões, melhor desempenho desde 7 de outubro de 2025.
A volta das compras em Bitcoin veio após resgates expressivos no início do mês, incluindo saídas de US$ 450,4 milhões em 15 de setembro e US$ 295,9 milhões em 16 de setembro. Todos os ETFs que registraram movimentação fecharam o dia no campo positivo. O MSBT, da Morgan Stanley, recebeu um recorde de US$ 61,7 milhões. As entradas de segunda-feira elevaram o fluxo acumulado da categoria para cerca de US$ 56,23 bilhões, com o patrimônio total dos fundos próximo de US$ 110,1 bilhões.
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O que impulsiona a alta
O Bitcoin chegou a aproximadamente US$ 87.300 na segunda-feira, maior nível desde janeiro de 2026, e era negociado em torno de US$ 85.400 no início da terça. Min Jung, pesquisadora da Presto Research, afirmou que não houve um único gatilho claro para o rali, destacando em vez disso o aumento do apetite por risco, a demanda pelos ETFs e a recompra de posições vendidas.
Foram justamente os vendidos que mais sofreram.
As liquidações no mercado cripto somaram US$ 1,06 bilhão em 24 horas, sendo US$ 844 milhões em posições short, de acordo com dados da CoinGlass. Para Jeff Ko, analista-chefe da ViaBTC, a superação da faixa de US$ 82 mil, que vinha limitando o preço, provavelmente reativou estratégias sistemáticas que estavam de fora.
Já Jeff Mei, diretor de operações da BTSE, avalia que investidores institucionais estão voltando ao Bitcoin apoiados por um cenário macro mais benigno. Ele cita a queda nos preços do petróleo, o recuo nos rendimentos dos Treasuries e a reunião desta semana entre os presidentes dos Estados Unidos e da China. Dominick John, da Zeus Research, aponta que o foco agora é se o Bitcoin consegue se manter acima de US$ 85 mil e o Ether acima de US$ 2.700.
Mudança de humor em relação ao Bitcoin
O Crypto Fear and Greed Index saltou para 78 em 21 de setembro, ante 51 uma semana antes, enquanto a Santiment detectou o tom mais otimista nas redes sociais desde dezembro de 2024. O open interest avançou 7,6%, para cerca de US$ 156 bilhões, sugerindo que os traders adicionaram alavancagem em vez de reduzi-la.
Posições muito concentradas desse tipo costumam anteceder períodos de consolidação, e não necessariamente novas máximas imediatas.
A virada de sentimento foi rápida. Em fim de junho, o Bitcoin chegou a cair abaixo de US$ 60 mil, e o indicador marcava 25 em 6 de agosto, antes de a moeda sair de níveis abaixo de US$ 68 mil para se aproximar de US$ 80 mil no fim daquele mês. Mesmo com a arrancada desta semana, o ativo ainda opera bem abaixo do recorde de US$ 126.198 registrado em outubro de 2025.
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