Ethereum (ETH) vem sofrendo uma forte drenagem de oferta nas corretoras desde janeiro — perto de 10% —, mas o preço da segunda maior criptomoeda do mercado segue preso na região de US$ 1.900.
Principais pontos:
- Reservas agregadas em exchanges caem cerca de 1,74 milhão de ETH no ano.
- Depósitos de stablecoins na Binance giram da rede Tron para a rede Ethereum.
- Fundos spot de Ether receberam cerca de US$ 245 milhões na semana encerrada em 7 de agosto.
Reservas de Ethereum em exchanges caem à medida que staking congela oferta
Dados on-chain da CryptoQuant indicam que as reservas agregadas de ETH em exchanges estão em 15,12 milhões de moedas, abaixo dos 16,86 milhões registrados no início do ano, uma redução de cerca de 1,74 milhão de ETH. Movimentos de depósito e saque dos dez maiores detentores também permanecem abaixo das médias recentes.
O staking continua avançando e já supera 34% da oferta em circulação, o que equivale a aproximadamente 41,4 milhões de ETH, mesmo com a taxa de recompensa em sete dias encostada na mínima de três anos.
Os fundos negociados em bolsa também estão absorvendo oferta. Os produtos spot de Ether captaram cerca de US$ 245 milhões na semana encerrada em 7 de agosto, melhor desempenho desde abril e quinto fluxo semanal positivo consecutivo.
O iShares Ethereum Trust, da BlackRock, respondeu por mais de 80% desse volume, elevando os ingressos líquidos acumulados nos ETFs de Ether listados nos Estados Unidos para algo em torno de US$ 11,46 bilhões.
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Liquidez de stablecoins migra da Tron para o Ethereum
O analista CryptoOnchain chamou atenção para um movimento paralelo na Binance. Nas últimas duas semanas, o fluxo líquido diário médio de stablecoins girou em torno de US$ 87 milhões, mas com uma mudança relevante na composição dessa liquidez.
As reservas de Tether (USDT) na rede Tron (TRX) dentro da exchange recuaram de aproximadamente US$ 1,4 bilhão para US$ 709 milhões em cerca de 14 dias. Ao mesmo tempo, os fluxos líquidos de USDT na rede Ethereum avançaram 210% na comparação semanal, enquanto as entradas de USD Coin (USDC) cresceram 114% no mesmo intervalo.
Para o analista, não se trata de saída de capital do mercado, mas de uma realocação estratégica: grandes investidores e formadores de mercado estariam reposicionando colaterais para ecossistemas de finanças descentralizadas com maior profundidade de liquidez, ou se preparando para episódios de volatilidade mais concentrados no próprio Ethereum.
Van de Poppe vê consolidação até demanda ganhar força
Até agora, entretanto, esse aperto de oferta não foi suficiente para destravar o preço. A demanda spot nos Estados Unidos, medida pelo Coinbase Premium Index, permanece negativa desde o início de maio, sinalizando que o investidor doméstico não vem correndo atrás do ativo.
A atividade da rede conta outra história: o volume semanal de transações se mantém acima de 20 milhões e o número de novos contratos inteligentes implantados continua em alta.
O analista Michaël van de Poppe descreveu o gráfico como praticamente inalterado, com o ETH confinado na faixa entre US$ 1.800 e US$ 2.000 e a volatilidade próxima de mínimas de vários anos. Segundo ele, um rompimento limpo acima de US$ 2.000 poderia destravar um movimento mais forte, embora a simples redução do float não garanta, por si só, uma alta.
A congestão de preço coroa um período duro para os detentores de longo prazo. O Ether foi negociado perto de US$ 2.116 no fim de maio e chegou a marcar uma máxima histórica em torno de US$ 4.953 em agosto de 2025, deixando o token mais de 60% abaixo daquele pico. As reservas em exchanges vêm encolhendo ao longo de quase toda essa correção, o que leva analistas a tratar a atual escassez como um “estado de fundo” do mercado, e não como gatilho imediato para um rali.
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