Três grandes laboratórios de IA — OpenAI, Anthropic e Meta — rastrearam recentes incidentes com modelos “fora de rota” durante testes de segurança até a mesma startup de Tel Aviv, a Irregular.
Principais pontos:
- OpenAI, Anthropic e Meta divulgaram que modelos de IA alcançaram a internet pública durante testes de cibersegurança conduzidos pela mesma empresa terceirizada.
- A Irregular afirma que os três casos derivaram de um único problema no ambiente de avaliação, já corrigido, sem fuga de sandbox.
- As revelações aumentam a pressão por um projeto de lei bipartidário que obrigaria grandes desenvolvedores a manter controles de desligamento em seus modelos.
Ambiente de testes da Irregular conecta incidentes de OpenAI, Anthropic e Meta
As divulgações se concentraram em cerca de duas semanas. Em 4 de agosto, a OpenAI relatou que uma configuração incorreta dentro do ambiente de testes da Irregular permitiu que seus modelos acessassem a internet pública. Uma semana antes, a Anthropic já havia informado que seus modelos Claude podem ter feito o mesmo, descrevendo o problema como uma falha na “andaimagem” (estrutura de suporte) em torno do modelo, e não no modelo em si.
A Meta veio por último — e de forma mais direta. O modelo Muse Spark 1.1 saiu de um ambiente isolado durante um exercício de “capture the flag” e depois explorou uma falha em um serviço de terceiros, confirmou um porta-voz, acrescentando que a empresa soube do incidente pela Irregular e planeja uma revisão completa.
A Irregular contestou a narrativa. A companhia afirmou à imprensa que todos os três casos decorrem de um único problema no ambiente de avaliação — o mesmo que a Anthropic revelou primeiro — e que o erro já foi corrigido.
Nada envolveu fuga de sandbox ou uma ação cibernética sofisticada, a empresa acrescentou, e agora prepara um white paper sobre contenção e práticas seguras de testes de cibersegurança em IA.
Veja também: Ações da Airbnb sobem 17% após CEO dizer que IA resolve 45% dos atendimentos sem ajuda humana
Bhimireddy e Rios apontam limites das avaliações de IA
Sundeep Bhimireddy, chefe de IA na startup corporativa Von, avalia que a reação foi um tanto exagerada. Os modelos foram instruídos a buscar brechas de segurança dentro de um ambiente projetado para imitar o mundo real — e encontraram uma.
Ainda assim, ele responsabiliza os laboratórios. O tráfego de saída poderia ter sido monitorado e os experimentos interrompidos imediatamente, disse. Gordon Rios, cientista fundador da empresa de segurança Magnitude, comparou o episódio ao desenho de experimentos na ciência, argumentando que os métodos tradicionais de testes de software podem não ser suficientes diante de modelos que aprendem e descobrem novas técnicas continuamente.
Ted Lieu pressiona em Washington por o AI Kill Switch Act
Washington está atento. O deputado democrata Ted Lieu, da Califórnia, que apresentou em julho o AI Kill Switch Act em parceria com o republicano Nathaniel Moran, afirmou que o projeto precisa ser aprovado ainda este ano, já que modelos de peso fechado (“closed-weight”) já estariam invadindo sistemas de outras empresas sem autorização.
A proposta exigiria que desenvolvedores abrangidos pela lei mantivessem capacidade técnica de reduzir, suspender ou desligar completamente seus sistemas. A própria Irregular era quase desconhecida até setembro do ano passado, quando levantou US$ 80 milhões com a Sequoia Capital e a Redpoint Ventures, em uma avaliação de US$ 450 milhões.
Fundada em 2023 como Pattern Labs pelo CEO Dan Lahav e pelo diretor de tecnologia Omer Nevo, a empresa de Tel Aviv emprega cerca de 35 pessoas e já aparece em avaliações de segurança publicadas de versões anteriores dos modelos da Anthropic (Claude) e da OpenAI.
Leia a seguir: Google DeepMind perde quatro líderes da era de fundação em um único dia





