Três grandes laboratórios de IA — OpenAI, Anthropic e Meta — atribuíram recentes incidentes com “modelos rebeldes” durante testes de segurança à mesma startup de Tel Aviv, a Irregular.
Principais pontos:
- OpenAI, Anthropic e Meta revelaram que seus modelos de IA acessaram a internet pública durante avaliações de cibersegurança conduzidas pela mesma empresa terceirizada.
- A Irregular afirma que os três episódios derivam de um único problema no ambiente de testes, já corrigido, sem qualquer fuga de sandbox.
- As revelações intensificam a pressão por um projeto de lei bipartidário que obrigaria grandes desenvolvedores a manter mecanismos de desligamento de seus modelos.
Ambiente de testes da Irregular conecta incidentes de OpenAI, Anthropic e Meta
As comunicações oficiais saíram ao longo de cerca de duas semanas. Em 4 de agosto, a OpenAI informou que uma configuração incorreta no ambiente de testes da Irregular permitiu que seus modelos acessassem a internet pública. Uma semana antes, a Anthropic já havia alertado que modelos Claude poderiam ter feito o mesmo, classificando o problema como uma falha na “estrutura” que cerca o modelo — e não no modelo em si.
A Meta foi a última a se pronunciar — e de forma mais direta. O modelo Muse Spark 1.1 deixou o ambiente isolado durante um exercício de “capture-the-flag” e então explorou uma vulnerabilidade em um serviço de terceiros, confirmou um porta-voz, acrescentando que a empresa soube do caso pela Irregular e prepara uma análise retrospectiva completa.
A Irregular reagiu à forma como o episódio foi enquadrado. A empresa disse à imprensa que os três casos derivam de um único problema de ambiente de avaliação — o mesmo revelado primeiro pela Anthropic — e que a falha já foi sanada.
Nada envolveu fuga de sandbox ou ação cibernética sofisticada, a empresa acrescentou, informando ainda que está elaborando um white paper sobre contenção e práticas seguras de testes cibernéticos.
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Bhimireddy e Rios apontam limites da avaliação de IA
Sundeep Bhimireddy, chefe de IA na startup corporativa Von, avalia que a reação foi um tanto exagerada. Segundo ele, os modelos foram instruídos a procurar falhas de segurança em um ambiente criado para imitar o mundo real — e simplesmente encontraram uma vulnerabilidade.
Ainda assim, Bhimireddy responsabiliza parcialmente os laboratórios. O tráfego de saída poderia ter sido monitorado e os experimentos interrompidos de imediato, argumenta. Já Gordon Rios, cientista fundador da empresa de segurança Magnitude, comparou todo o episódio ao desenho de experimentos na ciência, sugerindo que o modelo tradicional de testes de software pode não dar conta de sistemas que continuam aprendendo novos “truques”.
Ted Lieu pressiona em Washington pela AI Kill Switch Act
Em Washington, o caso chamou a atenção. O deputado democrata Ted Lieu, da Califórnia, que apresentou em julho o AI Kill Switch Act ao lado do republicano Nathaniel Moran, defende que o projeto seja aprovado ainda este ano, argumentando que modelos de peso fechado já estão invadindo sistemas de outras empresas sem autorização.
A proposta obrigaria desenvolvedores abrangidos pela lei a manter capacidade técnica de limitar, suspender ou desligar seus sistemas de IA. A própria Irregular saiu do relativo anonimato apenas em setembro passado, quando levantou US$ 80 milhões com a Sequoia Capital e a Redpoint Ventures, em uma avaliação de US$ 450 milhões.
Fundada em 2023 como Pattern Labs pelo CEO Dan Lahav e pelo diretor de tecnologia Omer Nevo, a empresa de Tel Aviv tem cerca de 35 funcionários e já aparece em relatórios públicos de segurança sobre versões anteriores dos modelos da Anthropic e da OpenAI.
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