Pontos-chave
Mesmo enquanto o Bitcoin (BTC) consolida entre a região de US$ 80.000 e a resistência em US$ 81.250, após ter superado brevemente os US$ 81.000, analistas apontam que a demanda por ETFs, a queda dos juros, o enfraquecimento do dólar e a recompra de vendidos impulsionaram a última pernada de alta.
O próximo teste é saber se os fluxos institucionais vão continuar e se o presidente do Fed, Kevin Warsh, evitará um tom duro em Jackson Hole.
A forte recuperação do Bitcoin é sustentada por mais do que alavancagem, segundo analistas, com entradas em ETFs regulados e algum alívio no cenário macro dando base ao movimento, mesmo com posições esticadas deixando o mercado vulnerável a realização de lucros na faixa entre US$ 80.000 e US$ 85.000.
No momento, o Bitcoin é negociado perto de US$ 78.700, em queda de 0,6% nas últimas 24 horas, após ter ultrapassado momentaneamente os US$ 81.000.
Rali do Bitcoin perde força perto de resistência
A correção mais recente vem após uma das semanas mais fortes do Bitcoin em 2026. Os ETFs spot de bitcoin nos EUA captaram cerca de US$ 1,9 bilhão em entradas líquidas na semana passada, enquanto os ETFs spot de ether receberam US$ 697,2 milhões, segundo dados da SoSoValue. O fluxo combinado de US$ 2,6 bilhões foi a semana mais forte para as duas categorias desde outubro de 2025.
O pano de fundo macro também ajudou. O Tesouro dos EUA anunciou que pelo menos dobrará o programa de recompras de títulos de longo prazo com cupons nominais nos vértices de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos, elevando o tamanho das operações de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro.
A decisão aliviou a pressão sobre os títulos longos e reavivou a chamada “aposta da desvalorização”, narrativa em que investidores buscam ativos escassos, como o bitcoin, quando aumenta a desconfiança em relação ao poder de compra das moedas fiduciárias ou à sustentabilidade fiscal.
Em relatório enviado à Yellow.com, Daniela Hathorn, estrategista sênior de mercado da Capital.com, afirmou que o Bitcoin consolida em torno de US$ 79.000 após uma “corrida extraordinária” desde abaixo de US$ 65.000 na semana anterior.
“O rali foi sustentado pela retomada da demanda institucional, em conjunto com um dólar mais fraco, juros mais baixos e o renascimento da tese de desvalorização após a decisão do Tesouro de ampliar as recompras de títulos longos”, disse Hathorn.
Ela acrescentou que a estrutura técnica continua construtiva, mas o Bitcoin começa a parecer esticado.
“US$ 80.000–81.250 é a zona de resistência imediata e já atraiu venda”, disse Hathorn. “Um rompimento consistente acima desse patamar reforçaria o cenário para mais uma pernada de alta, enquanto US$ 78.000 é o primeiro suporte relevante.”
Uma perda desse nível poderia aprofundar a correção para a faixa entre US$ 75.000 e US$ 77.000, afirmou.
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Demanda por ETFs vira principal termômetro
A composição do rali agora importa tanto quanto a sua magnitude. A pernada inicial de alta do Bitcoin foi turbinada pela recompra de vendidos, mas analistas destacam que a nova onda de demanda via ETFs sinaliza uma base de compradores mais sólida, acessando o ativo por meio de produtos regulados.
Can-Luca Köymen, estrategista de investimentos do Sygnum Bank, disse que os ETFs spot de Bitcoin receberam cerca de US$ 1,9 bilhão em cinco sessões, enquanto os produtos de ether atraíram aproximadamente US$ 697 milhões.
“A composição desse movimento é tão reveladora quanto o seu tamanho”, afirmou Köymen. “O comprador marginal está chegando via produtos regulados, e não apenas por meio de alavancagem.”
Isso importa porque a demanda por ETFs tende a ser mais estável do que um rali puxado por futuros. Um movimento baseado em alavancagem pode se reverter rapidamente quando a compra forçada se esgota, enquanto os fluxos para ETFs frequentemente refletem decisões de alocadores de recursos, consultores e instituições que aumentam exposição por meio de veículos regulados.
“A questão, daqui para frente, é se esses fluxos vão se manter e continuar após o esgotamento do catalisador macro inicial”, disse Köymen, ressaltando que os fluxos de ETFs são hoje um dos indicadores em tempo real mais claros da demanda institucional de longo prazo.
Jackson Hole vira principal prova macro
O próximo grande risco no radar do mercado é Jackson Hole. A agenda do Federal Reserve prevê um discurso central do presidente Kevin Warsh no Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole de 2026, em 28 de agosto.
O Bitcoin se beneficiou da queda nas expectativas de aperto adicional pelo Fed, mas esse quadro pode mudar se Warsh reforçar os riscos de inflação. A Reuters noticiou na quarta-feira que investidores buscam clareza sobre a estratégia de política monetária do presidente do Fed, com as recompras de Treasuries e as preocupações inflacionárias tornando mais nebulosa a trajetória dos juros.
Hathorn avalia que uma mensagem equilibrada, que mantenha a perspectiva de nova alta de juros distante, poderia sustentar a pressão baixista sobre os rendimentos dos títulos e sobre o dólar, favorecendo o Bitcoin. Um tom mais duro teria o efeito oposto, especialmente num ambiente em que as posições já estão bastante carregadas.
Stephen Wundke, diretor de estratégia e receita da Algoz Technologies, disse que a alta de 20% do Bitcoin na semana passada não foi totalmente surpreendente, já que os estoques de moedas nas exchanges estavam perto das mínimas históricas e sinais positivos de política ajudaram a disparar uma forte “short squeeze”.
“Não será fácil romper com força a faixa de US$ 82.000 a US$ 85.000 no BTC”, disse Wundke, embora ele ressalte que muitos investidores agora voltaram ao lucro e têm menos incentivo para vender.
O mercado de opções também reflete uma visão mais agressiva para cima. Wundke destacou que opções de compra de Bitcoin a US$ 100.000 para dezembro, que eram negociadas perto de US$ 300 pouco mais de uma semana atrás, agora giram em torno de US$ 3.000.
“Os traders se posicionaram no mercado de opções para um avanço de cerca de 16% nas próximas semanas”, afirmou.
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