Strategy vendeu 1.690 Bitcoins (BTC) por US$ 108,6 milhões na semana passada e direcionou cada centavo do valor levantado para a recompra de suas ações preferenciais STRC.
Principais pontos:
- A Strategy vendeu 1.690 BTC entre 3 e 9 de agosto, a um preço médio líquido de US$ 64.262 por moeda.
- Os US$ 108,6 milhões financiaram integralmente a recompra de 1.152.020 ações preferenciais STRC.
- A companhia ainda detém 840.447 BTC comprados a um preço médio de US$ 75.385.
Venda de Bitcoin financia recompra de STRC
A empresa revelou a operação em um formulário 8-K enviado na segunda-feira à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), detalhando as negociações realizadas entre 3 e 9 de agosto. Os Bitcoins foram vendidos a um preço médio líquido de US$ 64.262 por unidade, já descontadas taxas e custos.
Esse valor fica cerca de 15% abaixo do preço médio pago pela Strategy na formação de sua posição em BTC, o que significa que a venda da semana cristalizou um prejuízo contábil sobre essa parcela do portfólio.
O valor líquido foi usado para recomprar 1.152.020 ações STRC, a ação preferencial perpétua de taxa variável estruturada pela empresa para ajudar a financiar suas compras de Bitcoin e desenhada para negociar próxima ao valor de face de US$ 100. Mesmo após três rodadas de recompras desde o fim de junho, o papel ainda não conseguiu se firmar de forma sustentada nesse patamar.
Ao fim da operação, a Strategy permanece com 840.447 BTC adquiridos a um custo total de US$ 63,36 bilhões, o que corresponde a um preço médio de US$ 75.385 por moeda. Esse arsenal mantém a companhia de Michael Saylor muito à frente de qualquer outro investidor corporativo em Bitcoin: a Twenty One Capital aparece em segundo lugar, bem distante, com 43.514 moedas.
A empresa já havia vendido 1.638 BTC na semana anterior e, no acumulado de 2024, se desfez de 6.948 BTC, reduzindo sua posição em cerca de 0,8%.
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Michael Saylor reforça a reserva em dólar
Paralelamente, a Strategy levantou US$ 653,1 milhões via venda de 6.585.682 ações ordinárias MSTR em seu programa de emissão de ações “at-the-market”. Desse total, US$ 650 milhões foram direcionados para a chamada reserva em dólar da companhia, enquanto US$ 3,1 milhões ficaram em caixa.
Essa reserva, usada para pagar dividendos das ações preferenciais e juros da dívida em circulação, saltou de US$ 4 bilhões para US$ 4,65 bilhões em apenas uma semana.
Segundo Saylor, a captação prolongou o que a empresa chama de “USD Duration” – uma métrica interna que mede por quanto tempo essa reserva consegue sustentar esses compromissos financeiros – em mais 143 dias, para cerca de 2,7 anos.
Phong Le mira STRC a US$ 100
O CEO Phong Le afirmou na teleconferência de resultados do segundo trimestre que deseja ver o STRC negociando, com o tempo, na faixa de US$ 99 a US$ 100 — um objetivo que o mercado ainda não precificou.
Na pré-abertura desta segunda-feira, as ações preferenciais eram negociadas em torno de US$ 95,55.
A Strategy ainda dispõe de US$ 785,2 milhões de autorização dentro do programa de recompra de até US$ 1 bilhão anunciado em 29 de junho.
As vendas de Bitcoin começaram no fim de maio, quando a empresa se desfez de 32 BTC em sua primeira alienação desde dezembro de 2022. O ritmo se acelerou após a aprovação, em junho, de um plano que permite vender até US$ 1,25 bilhão em BTC.
Cerca de US$ 429 milhões desse limite já foram utilizados, e os formulários enviados pela empresa não mostram novas compras de Bitcoin desde junho. Na prática, os acionistas hoje convivem com um tesouro de BTC administrado para otimizar a própria estrutura de capital da companhia, e não mais para expansão agressiva da posição.
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