Bitcoin (BTC) encerrou a segunda-feira novamente acima de US$ 73.000, apagando totalmente a forte liquidação do fim de semana que o empurrou para até US$ 70.600.
Segundo dados da CoinGecko, o BTC era negociado a US$ 73.260 às 16h50 (ET), alta de mais de 3% nas últimas 24 horas. A recuperação ocorreu enquanto os mercados acionários dos EUA também ensaiavam um retorno, com o S&P 500 subindo 1,02% para fechar em 6.886,24 pontos e o Nasdaq ganhando 1,23%, encerrando em 23.183,74.
O gatilho tanto para a venda quanto para a recuperação foi o mesmo evento: o bloqueio naval dos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz.
Por que o Estreito de Ormuz importa mais do que você imagina
A liquidação começou na noite de sábado, quando o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deixou o Paquistão sem um acordo de paz, e o presidente Donald Trump ordenou que a Marinha bloqueasse todo o tráfego marítimo com acesso a portos iranianos. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), o bloqueio entrou formalmente em vigor às 10h (ET) da manhã de segunda-feira.
O Estreito de Ormuz é o ponto de estrangulamento de trânsito de petróleo mais crítico do mundo; cerca de 20% do petróleo bruto global passa por ali diariamente. Os mercados reagiram imediatamente. Os futuros de WTI dispararam até US$ 105 por barril no domingo, seu maior salto em uma única sessão desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, enquanto o Brent subiu 6,95%, ultrapassando US$ 101.
O Bitcoin acompanhou o medo quase perfeitamente, caindo aproximadamente 4% em relação aos níveis de antes do fim de semana, à medida que traders migravam para instrumentos defensivos.
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Petróleo recua, cripto reage, mas o risco acabou?
Até o fechamento de segunda-feira, o petróleo já havia devolvido boa parte desses ganhos, com o WTI recuando para aproximadamente US$ 96–US$ 98 por barril.
As criptos seguiram a mesma trajetória de alta.
Ether (ETH), Solana (SOL) e XRP também terminaram a segunda-feira em território positivo, e as ações ligadas a cripto estiveram entre os destaques da sessão; a Circle (CRCL) encerrou o dia em alta de 8,94%.
A recuperação foi real, mas o contexto importa. A correlação do Bitcoin com o S&P 500 permaneceu elevada ao longo do início de 2026, o que significa que o medo macro ainda se sobrepõe a qualquer narrativa de “ouro digital” quando surgem choques geopolíticos. A atividade em futuros de Bitcoin na CME, um termômetro confiável do posicionamento institucional, está atualmente no nível mais baixo em 14 meses, sinalizando que traders profissionais seguem cautelosos mesmo com a recuperação do preço à vista.
O que os traders observam a seguir
A situação em Ormuz está longe de resolvida. O CENTCOM confirmou que não irá impedir embarcações em trânsito para portos não iranianos, mas o bloqueio ao tráfego que se dirige a portos iranianos continua ativo.
A volatilidade no mercado de petróleo dificilmente se acalmará rapidamente e, enquanto essa incerteza persistir, a correlação do Bitcoin com as ações significa que ele continuará se movendo em sintonia com o sentimento macro, e não contra ele.
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