OpenAI batizou em 1.º de agosto a sua próxima grande família de modelos Astra e afirma que uma versão interna solucionou 10 problemas de longa data em matemática e ciência da computação teórica.
Pontos-chave:
- A OpenAI confirmou o nome Astra em um relatório que credita ao modelo 10 resultados em problemas sem avanços há, no mínimo, uma década.
- A lista inclui uma construção de grupos não sóficos, a refutação da conjectura de rigidez de Connes e três problemas de Erdős.
- Cada argumento vem acompanhado de um certificado em Lean verificável por máquina, e o custo em tokens ficou em cerca de US$ 2.000 pelos preços da API Sol.
Relatório da OpenAI sobre o Astra lista 10 resultados em matemática
A empresa divulgou no sábado um relatório de 249 páginas cobrindo empacotamento de esferas, teoria de códigos, complexidade de circuitos aritméticos, teoria de grupos, complexidade quântica e criptografia de redes.
Todos os problemas listados estavam há pelo menos dez anos sem progresso relevante em seus resultados principais — e muitos estavam travados há bem mais tempo. Um dos destaques é uma construção que demonstra a existência de grupos não sóficos, resolvendo uma questão central em teoria de grupos.
Outros resultados incluem a refutação da conjectura de rigidez de Connes, a prova da conjectura de volume de Ehrhart e a resolução de três problemas do catálogo de Erdős, entre eles um novo limite inferior para números de Ramsey de triângulos multicoloridos. A OpenAI estima que o custo em tokens para chegar às 10 soluções ficou em torno de US$ 2.000, pelos preços da API Sol.
O Astra é estruturado em torno de múltiplos agentes que dividem um problema difícil em partes, trabalham em paralelo por longos períodos e depois agregam os resultados. A família se posiciona ao lado dos modelos Sol, Terra e Luna, rotulados como GPT-5.6. A OpenAI ainda não decidiu se o Astra será lançado como GPT-6, como variante GPT-5.7 ou como uma camada separada, e não definiu data de lançamento.
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Matemáticos analisam as provas em Lean do Astra
Thomas Bloom, matemático da Universidade de Manchester e curador do catálogo de problemas de Erdős, classificou os resultados como “grande notícia” no X e comentou que as novas construções superam, em importância estrutural, o contraexemplo da distância unitária que a OpenAI divulgou em maio.
Cada demonstração vem acompanhada de um certificado em Lean verificável por computador — um padrão de rigor que poucas alegações envolvendo IA conseguiram atingir até agora. Mesmo assim, cabe à comunidade matemática verificar se cada formulação formal corresponde exatamente ao problema que a área considerava em aberto. Noam Brown, que trabalhou nos métodos de raciocínio por trás do sistema, destacou que nenhuma das soluções atinge problemas do Prêmio Millennium.
Sam Altman apresentou o Astra em Washington
Sam Altman apresentou o Astra a senadores e altos funcionários do governo norte-americano em reuniões fechadas em Washington, dias antes da publicação do relatório.
Na quarta-feira, ele se reuniu com os senadores Raphael Warnock e Bernie Moreno, em uma agenda que também incluiu encontros com Mark Warner, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário de Comércio Howard Lutnick.
A expectativa é que o Astra seja o primeiro modelo submetido ao novo regime federal de revisão pré-lançamento em discussão em Washington.
Em maio, a OpenAI seguiu uma estratégia parecida ao anunciar, por meio de um post em seu blog e não de um artigo acadêmico, uma prova gerada por IA que refutaria a conjectura da distância unitária de Erdős. Em resposta, matemáticos publicaram em junho a Declaração de Leiden, um alerta apoiado pela União Matemática Internacional contra a “prova por comunicado de imprensa”, que a empresa volta a mencionar no relatório divulgado no sábado.
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