A fabricante de carteiras de hardware Ledger passou a responder a uma ação coletiva proposta que pede pelo menos US$ 500 milhões em indenizações por causa de uma brecha de segurança em dezembro de 2023, à qual um cliente atribui o roubo de US$ 1,9 milhão em criptoativos.
Principais pontos:
- Douglas Kim entrou com uma ação coletiva proposta contra a Ledger em 27 de agosto, na Justiça Federal em Manhattan, pedindo pelo menos US$ 500 milhões.
- A queixa responsabiliza o comprometimento do Connect Kit, em dezembro de 2023, por um golpe de falsidade ideológica que lhe custou US$ 1.948.074 em fevereiro de 2025.
- A Ledger já vendeu 7 milhões de unidades, e a petição parte da premissa de que 3% dos compradores, ou 210 mil pessoas, foram afetados.
Douglas Kim detalha a falha no Connect Kit
Douglas Kim ajuizou a ação em 27 de agosto na Corte Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, tendo a francesa Ledger SAS como única ré. O escritório Ervin Cohen & Jessup assina o processo em nome de uma classe nacional proposta de compradores.
O caso gira em torno de um incidente de segurança ocorrido em ou por volta de 14 de dezembro de 2023, quando invasores tomaram o controle da conta no NPMJS usada para publicar o Ledger Connect Kit.
Essa biblioteca faz a ponte entre as carteiras de hardware da companhia e aplicações descentralizadas. Segundo a ação, os atacantes chegaram à conta por meio de um ataque de phishing a um ex-funcionário cujo acesso não havia sido revogado — uma falha que a Ledger reconheceu à época.
Kim afirma que, em 18 de fevereiro de 2025, recebeu uma ligação de alguém que se passou por representante da Coincover, alertando que uma pessoa na Holanda teria tentado inscrevê-lo no serviço Ledger Recover. Uma segunda ligação o direcionou a um site falso, muito parecido com o original, onde ele inseriu sua frase-semente. Dois dias depois, ele percebeu que US$ 1.948.074 haviam desaparecido de sua carteira.
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Cálculo dos danos contra a Ledger se baseia em estimativas
A petição lista sete fundamentos jurídicos, incluindo negligência, falsa representação negligente, promissory estoppel (quebra de promessa que gerou confiança legítima) e violações das Seções 349 e 350 da Lei Geral de Negócios de Nova York, que tratam de práticas enganosas e publicidade falsa. Kim também pede uma declaração judicial de que a empresa violou a lei SHIELD de Nova York ao não notificar residentes afetados no estado dentro de trinta dias.
O valor de US$ 500 milhões é apresentado como estimativa, e não como soma já comprovada. O cálculo parte dos 7 milhões de dispositivos vendidos pela Ledger e da suposição de que 3% dos compradores — cerca de 210 mil pessoas — teriam sofrido prejuízos. A perda de Kim ocorreu 14 meses depois da violação, e a queixa vincula os dois eventos “com base em informações e crenças”, reservando o direito de alterar o pedido após a fase de produção de provas (discovery).
Histórico de segurança da Ledger volta ao centro das atenções
O ataque ao Connect Kit drenou cerca de US$ 600 mil de usuários que assinavam transações às cegas em aplicações compatíveis com a máquina virtual do Ethereum (ETH), segundo a própria contagem da empresa divulgada dias depois.
A Ledger prometeu ressarcir integralmente esses usuários e iniciou um processo para eliminar a prática de blind signing (assinatura às cegas).
O CEO Pascal Gauthier declarou na ocasião que o problema estava nas aplicações de terceiros, e não no hardware da Ledger.
Um vazamento anterior, em 2020, já havia exposto dados de mais de 270 mil clientes da Ledger. Essas informações circularam em canais do mercado paralelo; a disputa judicial relacionada ao episódio ainda corre no Distrito Norte da Califórnia; e golpistas vêm enviando, até pelo menos abril de 2025, cartas físicas com a marca Ledger e QR codes para donos de carteiras.
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