Hackers de criptomoedas realizaram 207 violações distintas no primeiro semestre de 2026, o maior total já registrado para um período de seis meses, roubando US$ 972 milhões enquanto os incidentes mais que dobraram.
Principais pontos
- Os hacks em criptomoedas atingiram o recorde de 207 incidentes no primeiro semestre de 2026, embora as perdas totais tenham caído para US$ 972 milhões, menos da metade do total do ano passado.
- Hackers ligados à Coreia do Norte foram associados a 66% dos valores roubados, incluindo o exploit de US$ 292 milhões na KelpDAO e o roubo de US$ 285 milhões na Drift Protocol em abril.
- Comprometimentos de infraestrutura e chaves geraram cerca de 76% das perdas apesar de representarem apenas 15% dos incidentes, expondo falhas de segurança operacional em todo o setor.
Disparo dos hacks em criptomoedas
A empresa de segurança em blockchain TRM Labs registrou 207 hacks de criptomoedas nos primeiros seis meses de 2026, o maior número em qualquer semestre acompanhado pela firma. Exploits de contratos inteligentes impulsionaram boa parte desse aumento, respondendo por 125 incidentes, ou cerca de 60% de todas as violações. A perda mediana por incidente ficou em cerca de US$ 219.000, enquanto a média superou US$ 4,7 milhões, refletindo alguns poucos ataques de grande porte.
Mesmo assim, as perdas totais caíram para US$ 972 milhões, menos da metade dos US$ 2,3 bilhões roubados no mesmo período de 2025.
Os ataques se intensificaram ao longo do ano. Só o segundo trimestre registrou 123 incidentes, um novo recorde trimestral, após um primeiro trimestre já elevado.
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Coreia do Norte puxa as perdas
Hackers ligados à Coreia do Norte responderam por cerca de 66% dos aproximadamente US$ 972 milhões roubados no semestre, segundo a TRM Labs.
Isso representa uma leve queda em relação à fatia de 76% registrada mais cedo no ano, embora a dominância do país tenha crescido de forma constante desde 2020, quando era responsável por menos de 10% das perdas globais com hacks.
Dois ataques em abril, contra o protocolo de restaking protocolo KelpDAO e a plataforma de negociação Drift Protocol, drenaram juntos US$ 577 milhões e representaram a maior parte do total atribuído ao grupo.
A violação da KelpDAO sozinha custou US$ 292 milhões depois que invasores falsificaram dados de verificação em uma ponte cross-chain para cunhar tokens sem qualquer lastro real. Segundo investigadores de blockchain, os ativos roubados foram posteriormente canalizados pela plataforma cross-chain THORChain e convertidos em Bitcoin (BTC).
Os tokens fraudulentos foram então oferecidos como garantia na plataforma de empréstimos Aave, cujo valor total bloqueado despencou em bilhões em apenas dois dias. O exploit obrigou a plataforma a congelar os mercados afetados antes que as perdas pudessem se espalhar ainda mais. O episódio intensificou um sentimento já pessimista nos mercados de finanças descentralizadas.
A TRM Labs afirmou que falhas de infraestrutura e custódia, em vez de bugs em contratos inteligentes, responderam por cerca de três quartos do dinheiro perdido, apontando que a segurança operacional está ficando atrás da crescente complexidade on-chain do setor.
Os hacks agravaram um período difícil para as finanças descentralizadas, com o valor total bloqueado em protocolos DeFi caindo de cerca de US$ 115 bilhões em janeiro para aproximadamente US$ 70 bilhões no fim de junho, o menor nível em dois anos. Apenas um punhado de grandes blockchains, incluindo Tron, adicionou valor no período, enquanto a maioria das principais redes registrou quedas de dois dígitos. O Bitcoin caiu mais de 28% e o Ether (ETH) recuou mais de 40% no mesmo intervalo, aumentando a pressão sobre protocolos que já enfrentavam depósitos menores.
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