Os ETFs à vista de Bitcoin (BTC) nos Estados Unidos registraram cerca de US$ 8 bilhões em saídas líquidas desde a máxima histórica em outubro — a maior correção de saldo do ciclo atual — enquanto as posições totais caíram para aproximadamente 1,26 milhão de BTC e os investidores amargam, em média, prejuízos não realizados de cerca de 20%.
O que aconteceu: recorde de redução em ETFs
A queda começou depois que o Bitcoin atingiu a máxima histórica de US$ 126.000 em outubro. Desde então, saídas líquidas persistentes levaram os saldos dos ETFs continuamente para baixo.
Somente em janeiro, US$ 1,6 bilhão foi retirado de produtos de ETF à vista de Bitcoin, estendendo uma sequência de meses de saídas iniciada em novembro de 2025. O mercado mais amplo de ativos digitais seguiu um padrão semelhante: US$ 173 milhões deixaram fundos de ativos digitais na semana passada, marcando quatro semanas consecutivas de resgates que somam US$ 3,7 bilhões.
Dados da Glassnode colocam o preço médio de entrada dos investidores em ETFs à vista de Bitcoin nos EUA em aproximadamente US$ 83.980 por BTC. Com o Bitcoin sendo negociado perto de US$ 67.349 no momento da redação, esses investidores estão no negativo em cerca de 20%.
No início de fevereiro, Arthur Hayes argumentou que a atividade de hedge de dealers institucionais está amplificando a pressão baixista sobre o preço do BTC. “A redução de risco institucional adicionou peso estrutural à fraqueza em curso, reforçando o ambiente mais amplo de aversão a risco”, acrescentou a Glassnode.
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Por que isso importa: movimento cíclico, não estrutural
Apesar das saídas, os fluxos líquidos acumulados em ETFs de Bitcoin ainda somam cerca de US$ 53 bilhões, abaixo do pico de mais de US$ 63 bilhões em outubro de 2025, segundo o analista sênior de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas. Ele observou que o nível de adoção continua significativo em relação às expectativas iniciais.
“Nossa previsão (mais otimista que a maioria dos nossos pares) era de US$ 5 a 15 bilhões no primeiro ano. Esse é um contexto importante ao analisar/escrever sobre os US$ 8 bilhões em saídas desde a queda de 45% e/ou sobre a relação entre BTC e Wall Street, que tem sido amplamente positiva”, disse Balchunas.
Os dados sugerem que a correção atual reflete redução de risco cíclica, e não uma reversão estrutural. Os fluxos de ETF ampliaram os movimentos em ambas as direções, integrando o Bitcoin de forma ainda mais profunda à dinâmica tradicional dos mercados de capitais.
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