Um relatório do Bitcoin Policy Institute pediu que Taiwan construa uma reserva nacional de Bitcoin (BTC) como proteção em tempos de guerra contra um possível bloqueio militar chinês, argumentando que a natureza sem fronteiras do ativo e seu recente desempenho superior ao do ouro durante o conflito EUA-Irã reforçam o caso para adoção soberana.
Participações em BTC Apreendidas por Taiwan
O pesquisador do BPI Jacob Langenkamp publicou o relatório na terça-feira. Ele argumentou que o estoque atual de Taiwan de 210 Bitcoin — apreendidos de criminosos e avaliados em cerca de US$ 14 milhões — deve servir como base para uma reserva estratégica.
A lógica se concentra em um cenário de pior caso. Se a China bloquear ou invadir a ilha, o ouro não pode ser movido fisicamente e as reservas em dólar podem ser congeladas. O Bitcoin não exige transporte e permanece acessível independentemente das condições em terra.
O banco central de Taiwan analisou a ideia em dezembro e a rejeitou. Autoridades citaram volatilidade, riscos de custódia e liquidez reduzida como fatores desqualificadores, apontando o dólar americano como opção mais prática. Langenkamp reconheceu essas preocupações, mas disse que uma custódia institucional adequada e gestão de risco podem resolvê-las.
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O alerta de Langenkamp sobre o dólar
O relatório apontou a forte exposição de Taiwan ao dólar. Pelo menos 80% das reservas do banco central estão em ativos denominados na moeda americana, e a maior parte dos fluxos comerciais também é feita nessa moeda.
Langenkamp listou várias pressões que podem corroer o valor do dólar ao longo do tempo: aumento da dívida pública dos EUA, expansão monetária do Federal Reserve, uma possível queda nas avaliações do setor de IA e a redução das receitas de semicondutores. Ele argumentou que o Bitcoin poderia se combinar com o ouro para se proteger contra esses riscos antes que outros países façam o mesmo movimento.
O banco central de Taiwan não fechou totalmente a porta após dezembro. Autoridades disseram que a instituição continuaria testando tecnologia de ativos digitais por meio de um programa sandbox utilizando criptoativos que o país já possui.
Histórico de BTC em tempos de guerra
O caso do Bitcoin como ativo de crise ganhou evidências no mundo real durante o conflito entre EUA e Irã iniciado em 28 de fevereiro. Nas semanas seguintes ao início das hostilidades, o BTC subiu cerca de 7%, enquanto o ouro caiu aproximadamente 2% e o Nasdaq 100 recuou 0,5%.
O cofundador da BitMEX, Arthur Hayes observou a divergência, escrevendo que o Bitcoin estava "começando a parecer muito com ouro digital". O analista da Bernstein Gautam Chhugani classificou o mercado cripto como "resiliente diante do conflito no Oriente Médio".
Esse desempenho reforça o argumento apresentado por Langenkamp para Taiwan.
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