O executivo da Ledger Ian Rogers afirma que o roubo de US$ 116 milhões em carteiras Coldcard mostra como a inteligência artificial pode amplificar falhas na geração de aleatoriedade fraca — em vez de provar que carteiras de hardware ou a autocustódia sejam, por natureza, inseguras.
Principais pontos:
- Uma falha na geração de sementes da Coldcard reduziu a entropia efetiva para cerca de 40 bits em dispositivos antigos e aproximadamente 72 bits em modelos mais novos afetados.
- A TRM Labs aponta que ondas de ataques iniciadas em 30 de julho drenaram cerca de 1.816 Bitcoin (BTC), equivalentes a quase US$ 116 milhões.
- Rogers argumenta que a IA reduz o custo de encontrar brechas, enquanto agentes autônomos criam novos riscos quando passam a ter acesso a credenciais e outros segredos.
Falha em carteira de Bitcoin
A imprensa noticiou em 12 de agosto que Rogers, chief human agency officer da Ledger, rechaçou a tese de que o incidente revelaria uma fragilidade estrutural das carteiras de hardware. Para ele, o problema central está na má qualidade da aleatoriedade e na capacidade das ferramentas de IA de vasculhar, de forma mais eficiente, sistemas vulneráveis.
A fabricante da Coldcard, Coinkite, informou que um problema de firmware introduzido em 2021 fez com que a geração de sementes recorresse a um gerador de números pseudoaleatórios em software, em vez do caminho de hardware previsto. Estimativas preliminares indicam entropia efetiva próxima de 40 bits em dispositivos Mk2 e Mk3 afetados e cerca de 72 bits nos modelos mais recentes impactados.
Segundo a TRM Labs, em relatório publicado, quatro ondas coordenadas de ataques drenaram aproximadamente 1.816 BTC de mais de 5.200 endereços, com prejuízos avaliados em torno de US$ 116 milhões. A Ledger ressalta que suas carteiras geram entropia por meio de um gerador de números verdadeiramente aleatórios em hardware, embutido em um Secure Element certificado, sem recorrer a fallback em software.
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O alerta de Ian Rogers
Rogers afirma que a IA está mudando o cenário de ameaças em três frentes: oferece ferramentas mais poderosas para descoberta de vulnerabilidades, acelera o ciclo de desenvolvimento de software e amplia o número de agentes de IA com acesso a sistemas sensíveis.
O terceiro risco extrapola o universo das carteiras de cripto, já que agentes corporativos podem lidar com e‑mails, credenciais, dados de pagamento e comunicações internas.
Ele comparou o controle de acesso de agentes de IA à decisão de quando um pai deve entregar as chaves do carro a um adolescente, defendendo que o contexto defina quando um agente pode acionar permissões sensíveis. Segundo Rogers, a Ledger está desenvolvendo ferramentas que separam a capacidade operacional de um agente sobre a carteira do controle direto das chaves privadas.
“Independentemente de onde seus ativos estejam guardados, você deve se interessar pelo nível de segurança que os protege”, disse Rogers à Bloomberg.
A Ledger já havia levantado alertas semelhantes sobre aleatoriedade no passado. Sua equipe de segurança Donjon reportou à Trust Wallet uma falha na extensão de navegador em novembro de 2022, após identificar que a entropia das sementes havia caído para 32 bits.
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