Ethereum (ETH) teve uma queda de 50% em relação aos picos de meados de 2025, o que dizimou uma geração de estratégias corporativas de tesouraria em cripto. Ainda assim, o investimento institucional em infraestrutura segue acelerando em paralelo.
A divergência, documentada no mais recente relatório de dados da Kaiko, vai ao cerne de como a exposição institucional a ETH está sendo reestruturada.
Com o ETH negociando perto de US$ 2.000, estruturas de ações montadas em torno de simples acumulação de criptomoedas sofreram colapsos quase totais, enquanto produtos regulados de rendimento e fundos de venture focados em infraestrutura continuam captando capital durante a correção.
O que aconteceu
As ações da ETHZilla Corp caíram para cerca de US$ 3,40 – queda de 97% em relação ao pico acima de US$ 107 em agosto de 2025 – à medida que a desvalorização de ETH corroeu o múltiplo de ações que a empresa havia construído sobre a acumulação alavancada de tokens.
O Founders Fund de Peter Thiel saiu completamente de sua participação de 7,5% até o fim do ano, segundo documento da SEC de 17 de fevereiro.
Desde então, a ETHZilla vendeu mais de US$ 114 milhões em ETH para honrar dívidas conversíveis e passou a focar na tokenização de motores de avião em leasing.
Os fluxos acumulados nos ETFs spot de ETH, que chegaram a ultrapassar US$ 15 bilhões em meados de 2025, recuaram para aproximadamente US$ 11 bilhões. Saídas semanais vêm girando entre US$ 200–300 milhões nas últimas semanas, segundo dados da Kaiko com base na Farside.
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Por que isso importa
Esses fracassos são estruturalmente diferentes das quedas cripto anteriores. Veículos de tesouraria em ações como a ETHZilla mantinham ETH sem receitas diversificadas, criando um downside assimétrico – ações caindo muito mais rápido que o próprio ativo à medida que a confiança de mercado se deteriorava junto com o preço.
Enquanto isso, a BlackRock está protocolando na SEC o iShares Staked Ethereum Trust (ETHB), projetado para fazer staking de 70–95% das posições via Coinbase e distribuir cerca de 3% de rendimento anual aos acionistas. Os investidores receberiam 82% das recompensas de staking. O produto ainda aguarda aprovação da SEC, mas já foi capitalizado inicialmente.
A Dragonfly alocou US$ 650 milhões em infraestrutura blockchain em estágio inicial, e o BNP Paribas emitiu um fundo de mercado monetário tokenizado em Ethereum – categorias que continuaram atraindo capital enquanto os produtos spot sofriam saídas.
A estrutura de mercado
A volatilidade realizada em 365 dias do ETH comprimou de níveis acima de 100% em 2022 para 60–70% atualmente, segundo cálculos da Kaiko.
Essa compressão torna o rendimento de staking – atualmente em torno de 3,1% ao ano – mais atraente em relação ao risco de preço do que em ciclos anteriores.
O posicionamento em opções antes do vencimento de US$ 870 milhões na Deribit, nesta sexta-feira, reflete o cenário incerto: puts se concentram em US$ 1.700–1.800, enquanto calls se agrupam perto de US$ 2.300 – cerca de 15% acima do preço à vista atual.
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