Empresas de criptomoedas que comemoram o tom mais brando da SEC em relação a ativos digitais não devem presumir que a fiscalização acabou, alertou a comissária Hester Peirce na segunda-feira, dizendo que a agência continua pronta para abrir casos envolvendo violações de valores mobiliários mesmo enquanto reescreve as rules governing the sector.
“Então, só para deixar claro, não é função do regulador fazer com que os mercados de cripto sempre subam”, disse Peirce ao Yellow.com em entrevista, rebatendo a ideia de que a recente guinada de Washington equivale a uma postura de “mãos fora”. “Na medida em que houver atividades ilícitas ocorrendo nos mercados de valores mobiliários e que envolvam cripto, estamos, sim, muito dispostos a adotar medidas de fiscalização.”
Seus comentários descrevem um redesenho regulatório que tem menos a ver com aliviar a supervisão e mais com redefinir a jurisdição da SEC, formalizar a coordenação com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) e criar um caminho para que mercados de capitais tokenizados operem dentro da legislação existente.
Mudança de fiscalização: de violações de registro para fraudes claras em valores mobiliários
Peirce vinculou a reversão de várias ações de fiscalização antigas ao que descreveu como uma ambiguidade jurídica sobre se a maioria dos criptoativos eram, desde o início, valores mobiliários.
“Não é útil mover ações de fiscalização baseadas em alegações de registro que partem de um mal-entendido sobre o que é o ativo subjacente”, disse ela, acrescentando que a agência agora está reavaliando casos com base em fatos e circunstâncias específicos.
Ao mesmo tempo, ela enfatizou que atividades fora do escopo legal da SEC não serão policiadas indiretamente por meio de medidas de fiscalização.
“Há atividades ruins envolvendo cripto que não estão dentro da jurisdição da SEC, e não temos autorização do Congresso para fazer nada a respeito, além de encaminhá-las a outro regulador”, afirmou.
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Harmonização SEC–CFTC voltada à estrutura de mercado de longo prazo
Um pilar central da nova abordagem é uma coordenação mais profunda com a CFTC para eliminar o que Peirce descreveu como uma “terra de ninguém” regulatória para produtos de ativos digitais.
“Ao estabelecermos alguns marcos agora e criarmos práticas em que as duas agências conversem e trabalhem juntas regularmente, esse tipo de padrão, se o estabelecemos agora, pode ter um efeito duradouro”, disse ela.
O esforço está sendo reforçado pelo trabalho do Congresso em legislação sobre estrutura de mercado, que, segundo ela, pode ajudar a “consolidar” a cooperação interagências para além do governo atual.
O objetivo de longo prazo, indicou, é uma taxonomia duradoura que dê clareza aos emissores já na fase de desenho do produto, em vez de por meio de medidas de fiscalização após o lançamento.
Isenção para inovação como ponte para mercados de valores mobiliários tokenizados
Peirce também tratou da proposta de isenção para inovação, apresentando-a como um mecanismo transitório para trazer valores mobiliários tokenizados para mercados regulados, e não como um “sandbox” regulatório.
“A meta será chegar a uma solução de longo prazo, que é uma solução regulatória com proteções apropriadas”, disse. “Não faz sentido as empresas experimentarem algo sem olhar para uma forma permanente e de longo prazo de fazer isso de maneira comercialmente viável.”
Essa abordagem posiciona a SEC não apenas como reguladora de cripto, mas como uma das principais arquitetas dos mercados de capitais on-chain, com trabalho ativo em andamento sobre como a infraestrutura de blockchain pode remodelar o papel dos agentes de transferência e dos processos pós-negociação.
Stablecoins, custódia e os limites da autoridade da SEC
Sobre stablecoins, Peirce reiterou que stablecoins de pagamento ficam fora do escopo da SEC sob o novo arcabouço jurídico, enquanto instrumentos que geram rendimento continuarão a ser avaliados individualmente.
“Nós analisamos os fatos e circunstâncias de cada ativo”, afirmou, recusando-se a aplicar uma classificação abrangente.
Ela também defendeu a reversão do SAB 121, que havia tornado comercialmente difícil para bancos custodiar ativos digitais, argumentando que a supervisão do risco sistêmico cabe aos reguladores prudenciais e ao Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira, e não à SEC.
“Os mercados de criptoativos são bastante pequenos”, disse ela. “Gestão de risco é algo em que as instituições financeiras gastam muito tempo pensando.”
Ao mesmo tempo, ela enfatizou a importância de preservar a self-custody as a policy principle, chamando-a de algo que “a lei deveria proteger”.
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