O braço de venture do Standard Chartered está se aproximando de montar uma pilha completa institucional de finanças on-chain, com SC Ventures, por meio do Operating Member Harald Elvedt, dizendo que o grupo está “muito, muito perto” de construir um ecossistema em padrão bancário que abranja custódia, tokenização, liquidez, financing and settlement.
Os comentários são um dos sinais mais claros até agora de que os recentes investimentos em ativos digitais da SC Ventures fazem parte de uma estratégia mais ampla de estrutura de mercado, e não apenas apostas isoladas em infraestrutura cripto.
Em entrevista ao Yellow.com, Elvedt disse que os investimentos da SC Ventures em empresas como GSR, Keyrock, Libeara, TrueFin e 37xC foram desenhados para construir uma pilha institucional de ativos digitais ponta a ponta. A estratégia surge num momento em que bancos, gestores de ativos e formadores de mercado passam a focar cada vez mais em ativos do mundo real tokenizados, liquidação com stablecoins e liquidez secundária para produtos financeiros on-chain.
SC Ventures constrói a pilha institucional
Questionado se a SC Ventures estava perto de lançar um ecossistema totalmente integrado em padrão bancário, no qual clientes institucionais possam emitir, fazer staking e trocar ativos sem depender totalmente das trilhas legadas, Elvedt disse que a firma já está bem próxima disso.
“Eu diria muito, muito perto. Exatamente. Acho que você entende nossa estratégia, que é exatamente essa”, afirmou.
Elvedt disse que os movimentos de portfólio da firma estão “muito longe de serem aleatórios” e fazem parte de uma “estratégia ponta a ponta” em torno da pilha institucional de ativos digitais.
Essa pilha cada vez mais parece cobrir os principais componentes necessários para finanças on-chain reguladas. A Zodia Custody dá ao Standard Chartered exposição à custódia de ativos digitais. A Zodia Solutions está sendo posicionada como uma plataforma de infraestrutura tecnológica. A Libeara foca em tokenização.
GSR e Keyrock trazem capacidades de market making. A TrueFin adiciona um componente de yield institucional on-chain, enquanto a 37xC traz infraestrutura de prime brokerage e financiamento.
A estratégia sugere que a SC Ventures não está apenas tentando participar de mercados tokenizados, mas ajudar a definir como esses mercados vão operar para instituições.
Risco de custódia se aproxima do banco
Uma parte chave da estratégia é a reestruturação da Zodia Custody. O Standard Chartered fez uma oferta não vinculante para adquirir as atividades reguladas da Zodia Custody para dentro de sua divisão central de Financing and Securities Services, enquanto a Zodia Solutions está sendo desenvolvida como uma plataforma de infraestrutura separada sob a SC Ventures.
Elvedt disse que o movimento reflete o quanto o ambiente institucional mudou desde que a Zodia Custody foi criada em 2019 e 2020, quando muitos bancos ainda relutavam em tocar cripto.
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“A razão pela qual estamos fazendo isso é porque os bancos estão muito mais bem equipados hoje em dia, em 2026, do que estavam há seis anos”, disse ele. “E, na verdade, eles são os legítimos donos das soluções de custódia que conseguem operar em escala.”
A distinção é importante. O risco de custódia está se aproximando do balanço regulado do banco, enquanto a infraestrutura de software permanece em uma estrutura de venture que pode continuar integrando novas tecnologias.
Esse modelo pode se tornar mais comum à medida que bancos separam as atividades financeiras reguladas das plataformas tecnológicas que as suportam.
Liquidez se torna a camada RWA que falta
Os investimentos da SC Ventures em GSR e Keyrock também apontam para uma aposta mais específica: ativos do mundo real tokenizados precisarão de liquidez mais profunda em mercado secundário antes de poderem escalar.
Elvedt disse que market makers são participantes de infraestrutura essenciais e habilitadores naturais do mercado de ativos do mundo real. Ele afirmou que Keyrock e GSR foram selecionadas porque construíram relacionamentos de longo prazo, acesso a venues e capacidades institucionais que seriam difíceis de a SC Ventures replicar diretamente.
A mesma lógica se aplica à Libeara, a plataforma de tokenização da SC Ventures, que já tokenizou mais de US$ 1 bilhão em ativos regulados. Elvedt reconheceu que os ativos tokenizados viram mais tração em emissões primárias do que em negociações secundárias.
“Temos visto muita tração em emissão, sabe, um mercado primário para esses tokens, e não vemos muita atividade no mercado secundário”, disse.
Ele acrescentou que trazer a GSR não foi sobre forçar a negociação secundária, mas “habilitar um mercado secundário”.
Isso pode ser crítico para treasuries tokenizadas, fundos de mercado monetário e outros ativos regulados. Sem market makers ativos, a tokenização corre o risco de se tornar apenas um invólucro de emissão mais eficiente, em vez de uma estrutura de mercado genuinamente líquida.
Stablecoins e liquidação completam o quadro
Elvedt também vinculou o crescimento dos ativos tokenizados à adoção de stablecoins e à liquidação 24/7. Ele disse que a SC Ventures anunciou recentemente a Anchorpoint em Hong Kong e mantém relações com emissores de stablecoins atreladas ao dólar americano.
Para a tokenização institucional, essa camada de liquidação pode ser tão importante quanto o próprio ativo. Títulos tokenizados só conseguem entregar todos os seus benefícios se a liquidação em dinheiro também for on-chain, permitindo transferências 24 horas por dia e mercados mais eficientes.
Elvedt enquadrou compliance e controles de risco como centrais nesse modelo, e não como algo posterior. Ele disse que as ventures precisam integrar requisitos regulatórios desde o início, porque atalhos iniciais podem gerar problemas mais tarde.
“Existem certas coisas que você absolutamente precisa integrar no dia zero, na verdade, não no dia um, porque caso contrário elas vão voltar para te morder”, afirmou.
O resultado é uma visão de finanças on-chain que se parece pouco com a DeFi nativa cripto. É mais segmentada, mais regulada e mais ligada a bancos, custodians e participantes de mercado licenciados.
Para a SC Ventures, esse pode ser exatamente o ponto. Se os ativos do mundo real tokenizados escalarem, os vencedores podem não ser as empresas que se movem mais rápido, mas aquelas capazes de combinar compliance, custódia, liquidez, financiamento e liquidação em uma única estrutura de padrão institucional.
Os comentários de Elvedt sugerem que o braço de venture do Standard Chartered está se posicionando exatamente para esse papel.
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