MoneyGram deu a 60 milhões de pessoas a stablecoin que o cripto não conseguiu

MoneyGram deu a 60 milhões de pessoas a stablecoin que o cripto não conseguiu

A recém-lançada MGUSD, stablecoin da MoneyGram, foi criada para dar a consumidores desbancarizados acesso a um saldo estável denominado em dólar dentro do app da rede de pagamentos, disse o CEO Anthony Soohoo na quinta‑feira, posicionando o produto como uma ferramenta de serviços financeiros ao consumidor e não como outro ativo de trading de cripto.

“Para muitos dos nossos clientes, esta será a primeira vez que eles realmente terão acesso a um saldo estável em dólar”, disse Soohoo ao Yellow.com.

Os comentários marcam um enquadramento importante para a estratégia de stablecoin da MoneyGram. Embora boa parte do mercado de stablecoins tenha sido construída em torno de trading, liquidação institucional e liquidez cripto‑nativa, Soohoo disse que a MGUSD está sendo desenvolvida em torno da rede global e da base de clientes já existentes da MoneyGram.

“A maioria das stablecoins começa com um token e depois tenta encontrar um mercado e construir um ecossistema em torno disso externamente”, disse Soohoo. “A MoneyGram está adotando uma abordagem completamente diferente.”

MGUSD foi criada para ficar dentro da rede da MoneyGram

Soohoo disse que a MGUSD servirá como a base do saldo no app da MoneyGram, oferecendo aos usuários um saldo estável denominado em dólar diretamente dentro do ecossistema da empresa.

“Não estamos tentando movê‑la para fora do nosso ecossistema. Ela está diretamente no nosso ecossistema MoneyGram”, afirmou.

Essa distinção é central para a abordagem da MoneyGram. Em vez de lançar um token e depois tentar impulsionar a adoção em plataformas externas, a empresa está incorporando a MGUSD em uma rede de pagamentos já usada para movimentação de dinheiro transfronteiriça.

A MoneyGram anunciou no início desta semana que a MGUSD já está disponível nos EUA, com planos de expansão global.

A stablecoin é emitida com suporte da Bridge, empresa da Stripe, cunhada e queimada usando a infraestrutura de contratos inteligentes da M0, lançada inicialmente na Stellar e mantida pela MoneyGram em carteiras da Fireblocks antes de ser enviada para as carteiras dos clientes embutidas no app da MoneyGram.

Soohoo disse que esses parceiros foram selecionados em emissão, infraestrutura, custódia e blockchain para dar suporte à experiência do cliente.

O usuário‑alvo não é o trader de cripto

Soohoo afirmou que a MGUSD foi construída para os clientes principais da MoneyGram, incluindo famílias que enviam dinheiro através de fronteiras e pessoas com acesso limitado a serviços financeiros tradicionais.

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“A maioria das stablecoins criadas até agora tem sido realmente focada em trading e também em uso institucional”, disse Soohoo. “A MGUSD foi desenhada para consumidores, nossos consumidores, que são como famílias enviando dinheiro através de fronteiras e pessoas com acesso limitado a serviços financeiros.”

A empresa diz que a MGUSD permitirá que os usuários mantenham valor estável, movam dinheiro globalmente, convertam em moeda local quando necessário e acessem fundos por meio da rede digital e física da MoneyGram.

Esse modelo omnicanal é parte fundamental da estratégia. A MoneyGram afirma atender mais de 60 milhões de clientes ativos em quase 500.000 pontos de venda físicos, enquanto mais de 70% de suas transações já são digitais.

O saldo no app se torna uma camada de serviços financeiros

Soohoo disse que a MGUSD não deve ser vista como o produto final, mas como a base para um conjunto mais amplo de serviços financeiros.

“É importante lembrar que a MGUSD não é o produto final”, afirmou. “Ela é a fundação do que vamos construir em termos de um conjunto crescente de serviços financeiros para nossos clientes.”

O plano mais amplo da empresa é usar o saldo no app da MoneyGram como ponte entre moedas fiduciárias e digitais. Soohoo disse que os clientes poderão se mover entre moedas fiat e digitais mantendo flexibilidade sobre como armazenam, enviam, recebem e acessam dinheiro.

“Não nos vemos apenas como um transmissor de dinheiro ou um player de remessas”, afirmou.

Isso sinaliza uma mudança mais ampla no posicionamento da MoneyGram. A empresa está usando a infraestrutura de stablecoin não apenas para melhorar remessas, mas para criar uma camada de saldo em dólar que possa sustentar produtos futuros para consumidores globais.

Para usuários em mercados que enfrentam inflação, instabilidade cambial ou acesso limitado a serviços bancários, a MGUSD pode dar à MoneyGram uma forma de oferecer reserva de valor estável dentro de um app e de uma rede que eles já utilizam.

O principal teste será se a MoneyGram conseguirá transformar essa infraestrutura em serviços financeiros do dia a dia sem fazer a stablecoin em si parecer um produto cripto.

Soohoo disse que o objetivo não é focar no ativo em si, mas no que os clientes podem fazer com ele.

“Nosso foco é ajudar os clientes a mover dinheiro mais rápido, manter valor, converter moedas quando quiserem e acessar o dinheiro quando precisarem”, afirmou.

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