A Strike Force do Scam Center do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) bloqueou e apreendeu mais de US$ 578 milhões em criptomoedas em seus três primeiros meses de operação, anunciou a promotora federal Jeanine Ferris Pirro – a maior apreensão de que se tem notícia contra redes de fraude de “pig butchering” sediadas no Sudeste Asiático.
A força-tarefa, criada em novembro de 2025, targets organizações criminosas transnacionais chinesas que operam complexos de fraude em Mianmar, Camboja e Laos.
Até janeiro de 2026, a iniciativa já havia recuperado US$ 402 milhões em ativos digitais.
O número divulgado na quinta-feira incorpora essas apreensões anteriores mais aproximadamente US$ 80 milhões em novos processos de confisco abertos na quarta-feira – elevando o total acima do patamar de US$ 578 milhões citado por Pirro.
Como funcionam os esquemas
A fraude de “pig butchering” – nome dado à prática de “engordar” as vítimas antes de roubá-las – combina engenharia social com infraestrutura de criptomoedas. Os golpistas criam laços de confiança com as vítimas por meio de redes sociais e mensagens de texto antes de direcioná-las a plataformas de negociação falsas que exibem ganhos fabricados.
As criptomoedas reais da vítima são então drenadas por meio desses aplicativos falsos. Autoridades dos EUA estimate as perdas anuais de americanos em quase US$ 10 bilhões.
Em algumas jurisdições do Sudeste Asiático onde esses complexos operam, a receita gerada pelos golpes se aproxima de metade do produto interno bruto, segundo o Departamento de Justiça.
Trabalhadores dentro desses complexos frequentemente são vítimas de tráfico, mantidas à força por grupos armados. A Interpol elevou esse modelo ao status de ameaça global em 2025. A SpaceX desativou mais de 2.500 dispositivos Starlink em Mianmar no início deste ano como parte do esforço da Strike Force para cortar a infraestrutura de internet usada nessas operações.
Leia também: Barclays Is Hunting For A Blockchain Partner To Build Payments And Stablecoin Infrastructure By April
O contexto mais amplo de repressão
A Strike Force reúne a Promotoria Federal de D.C., a Divisão Criminal do DOJ, o FBI, o Serviço Secreto e a Receita Federal (IRS) na área de investigação criminal.
Seu foco não é apenas recuperar ativos – os investigadores seguem o rastro dos fundos por exchanges e carteiras para identificar os principais organizadores e lavadores de dinheiro antes que os recursos sejam dispersos por contas de fachada.
A operação enfrenta um cenário ilícito em expansão. Segundo o Crypto Crime Report 2026 da Chainalysis, o volume de criptomoedas ilícitas received por endereços identificados totalizou pelo menos US$ 154 bilhões em 2025 – um aumento de 162% ano a ano, impulsionado principalmente por um salto de 694% na atividade ligada a entidades sancionadas. As stablecoins responderam por 84% desse volume ilícito.
Redes chinesas de lavagem de dinheiro movimentaram aproximadamente US$ 16,1 bilhões por meio de quase 1.800 carteiras ativas em 2025, de acordo com o mesmo relatório, oferecendo “lavagem como serviço” para operações de fraude do tipo que a Strike Force está mirando.
Leia também: Citi Is Launching Direct Bitcoin Custody for Its $30 Trillion Institutional Client Base



