Morgan Stanley entrou com pedido para fundos de índice à vista de Bitcoin e Solana, marcando uma mudança estratégica que, segundo analistas, revela demanda institucional ainda não explorada por ativos digitais. Jeff Park, chefe de estratégias alfa na Bitwise e CIO da ProCap, descreveu o movimento como o sinal mais forte até agora sobre a próxima fase da adoção institucional.
O que aconteceu: pedido de uma grande corretora full service
Os pedidos surpreenderam observadores de mercado, incluindo o analista de ETF da Bloomberg Intelligence, James Seyffart, que afirmou não ter antecipado o anúncio.
Matt Hougan destacou a importância da decisão de usar a marca: o Morgan Stanley opera 20 ETFs, mas principalmente sob os rótulos Calvert, Parametric e Eaton Vance, fazendo destes o terceiro e quarto produtos a carregar diretamente o nome Morgan Stanley.
Park observou que lançar um ETF padrão dois anos depois de os primeiros participantes do mercado terem garantido posições dominantes de liquidez é algo sem precedentes.
Ele apontou para a tentativa fracassada do IAU de ultrapassar o GLD como evidência de que o Morgan Stanley não avançaria sem dados de seus canais proprietários de wealth management indicando uma demanda significativa ainda não capturada.
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Por que isso importa: poder de distribuição
Park interpretou o pedido como evidência de que o mercado endereçável é maior do que as estimativas atuais da indústria, especialmente no alcance de novos clientes em vez de apenas realocar investidores cripto já existentes. Segundo sua análise, o cálculo estratégico se concentra na economia de plataforma e na retenção de clientes, mais do que em competir pelo volume de ativos sob gestão.
"Isso sinaliza que, apesar de o IBIT ser o ETF mais rápido da história a atingir US$ 80 bilhões em AUM (aproximadamente 1/5 do tempo que levou para o segundo colocado, o VOO), há interesse suficiente ainda não explorado, devidamente pesquisado e identificado por meio dos canais proprietários de wealth do MS, a ponto de eles estarem dispostos a apostar que um produto com marca própria tem viabilidade comercial", escreveu Park.
Ao lançar ETFs proprietários de Bitcoin e Solana depois de o iShares Bitcoin Trust da BlackRock ter consolidado a liquidez do mercado, o Morgan Stanley reconhece que as redes de distribuição controlam o relacionamento com o cliente mais do que a superioridade do produto, disse Park.
Seyffart confirmou que, até meses recentes, os assessores do Morgan Stanley estavam proibidos de comprar ETFs de cripto para clientes, o que ressalta a rapidez com que o posicionamento institucional mudou.
Park argumentou que o uso da marca funciona como um marcador de identidade voltado a investidores independentes de patrimônio ultraalto.
"Isso ocorre porque todo gestor de recursos sabe que ter um ETF de Bitcoin comunica que ele é inovador, jovem e um pouco arrojado", escreveu, contrastando a ausência de ETFs de ouro com marca própria, apesar da narrativa do Bitcoin como ouro digital.
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