A audiência da mídia cripto nativa caiu 33% em 2025, mas a oferta de stablecoins cresceu 42% e os volumes em DEX ultrapassaram US$ 1,7 trilhão. A desconexão entre atenção da mídia e atividade real em blockchain forçou uma revisão de como empresas cripto devem estruturar sua estratégia de comunicação.
TL;DR
- O tráfego da mídia cripto nativa caiu de 106M para 71M de visitas em 349 veículos em 2025, enquanto a atividade on-chain cresceu em todas as principais métricas
- A mídia financeira tradicional atraiu 6x mais tráfego que todo o setor cripto nativo e cresceu 60% ano a ano
- Testes estatísticos não encontraram relação consistente entre tráfego de mídia e atividade em blockchain, indicando que antigos playbooks de PR, centrados em veículos cripto nativos, precisam ser reestruturados
Por que o crescimento de mercado já não se traduz em tráfego de mídia
Por anos, o setor cripto operou com uma suposição simples: mais atividade de mercado gera mais atenção da mídia, o que alimenta ainda mais atividade. O boom das ICOs em 2017 e o “DeFi summer” em 2021 pareciam confirmar esse ciclo. Mas 2025 quebrou o padrão por completo.
O relatório Outset Data Pulse, publicado em abril de 2026 pelo fundador da Outset PR, Mike Ermolaev, acompanhou o tráfego de 349 veículos cripto nativos em comparação com três indicadores on-chain centrais.
A audiência cripto nativa começou em 105,85 milhões de visitas em janeiro e caiu para 70,78 milhões em dezembro. Uma queda de 33,14% que nenhum repique temporário conseguiu reverter.
O lado on-chain contou a história oposta. O Bitcoin (BTC) continuou sendo a âncora de um mercado que adicionou US$ 91 bilhões em oferta de stablecoins, processou quase US$ 19 trilhões em transferências de Tether (USDT) e gerou US$ 1,76 trilhão em volume de exchanges descentralizadas. Tudo isso enquanto a imprensa especializada encolhia.
A equipe de Ermolaev testou se mudanças no tráfego de mídia precediam ou seguiam mudanças na atividade on-chain. O resultado foi direto.
Nenhum padrão consistente de causa e efeito apareceu em qualquer direção. O tráfego de mídia deixou de acompanhar o comportamento mais profundo do mercado, e empresas cripto que ainda tratam cobertura de imprensa como proxy de saúde de mercado estão medindo o sinal errado.
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O abismo de escala: mídia mainstream domina com 6x mais audiência
O achado mais marcante do relatório diz respeito à escala. Sites de finanças, tecnologia e notícias gerais com cobertura regular de cripto registraram 6,91 bilhões de visitas em 2025. Essa audiência foi mais de seis vezes maior que os 1,12 bilhão de visitas de todo o setor de mídia cripto nativa somado.
O tráfego mainstream também cresceu de forma constante. As visitas mensais subiram de 366,71 milhões em janeiro para 585,73 milhões em dezembro, um aumento de 59,71%. Um salto acentuado em março levou o tráfego mainstream a um novo patamar, que se manteve até o fim do ano.
Há, porém, uma ressalva importante.
O relatório afirma claramente: as cifras de tráfego mainstream refletem a audiência total do site, não apenas visitas a páginas específicas de cripto.
Mas isso é justamente o ponto estratégico. A maior audiência endereçável para conteúdo de cripto está em plataformas mainstream. Uma matéria na Bloomberg ou Reuters sobre títulos tokenizados alcança alocadores institucionais, family offices e profissionais de finanças tradicionais que jamais abrirão uma publicação cripto nativa.
Os dados regionais reforçaram a tendência. Na Europa Ocidental, 82% dos veículos especializados encolheram sob a pressão dos custos de conformidade com a MiCA e da atualização central do algoritmo do Google em março de 2025. No Leste Europeu, 63% dos veículos perderam espaço mesmo enquanto os preços de ativos digitais subiam 21,7% no período. Na América Latina, 73% dos veículos cripto nativos tiveram queda no 1º trimestre.
A perda de tráfego foi estrutural, não cíclica.
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A atividade on-chain cresceu como se a mídia não existisse
Enquanto a audiência cripto nativa encolhia, a blockchain estava mais ativa do que nunca. Os três indicadores on-chain acompanhados pelo relatório Outset Data Pulse se expandiram de forma significativa ao longo de 2025.
A oferta de stablecoins subiu de US$ 216,95 bilhões em janeiro para US$ 307,76 bilhões em dezembro. Esse acréscimo de US$ 91 bilhões representa crescimento de 41,84%. Nenhum mês do primeiro semestre registrou contração, e o terceiro trimestre viu a aceleração mais forte.
A Bloomberg, citando dados da Artemis Analytics, reportou volume total de transações com stablecoins de US$ 33,4 trilhões no ano, alta de 74% em relação a 2024. A divisão GPS do Citi projeta que a oferta de stablecoins pode chegar a US$ 1,9 trilhão até 2030 em seu cenário base.
O volume de transferências em USDT atingiu US$ 18,92 trilhões no ano cheio. Níveis em janeiro foram modestos, mas maio marcou um ponto claro de inflexão. Só outubro chegou a US$ 2,52 trilhões, mais que o dobro do valor de janeiro.
O relatório oficial da Tether sobre o 4T25, atestato pela auditora BDO, confirmou volume on-chain de USDT de US$ 4,4 trilhões no trimestre, em 2,2 bilhões de transações. Transferências abaixo de US$ 1.000 responderam por 88,2% do total, sugerindo atividade econômica real, e não apenas especulação de grandes players.
O volume de negociação à vista em DEX somou US$ 1,76 trilhão no ano. O volume mensal começou em US$ 112,45 bilhões em janeiro e atingiu o pico de US$ 214,68 bilhões em outubro. A razão entre volume spot em DEX e CEX chegou ao recorde de 37,4% em junho. O volume em DEX de perpétuos foi bem maior, entre US$ 6,7 trilhões e US$ 7,9 trilhões, dependendo da fonte de dados, refletindo aumento de 346% ano a ano.
O quadro combinado conta uma história nítida:
- A oferta de stablecoins adicionou US$ 91 bilhões, chegando a US$ 307 bilhões no fim do ano
- As transferências em USDT quase dobraram de janeiro a outubro, com pico de US$ 2,52 trilhões em um único mês
- O volume spot em DEX cresceu 91% de janeiro até o pico em outubro
- O valor total travado em DeFi chegou a US$ 237 bilhões no 3T, superando o recorde histórico de 2021
- A tokenização de ativos do “mundo real” passou de US$ 33 bilhões, com o fundo BUIDL da BlackRock sozinho se aproximando de US$ 2 bilhões
Nada disso exigiu a mídia cripto nativa para se sustentar.
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Fragmentação torna antigos playbooks de PR obsoletos
Além da queda agregada, a distribuição do tráfego cripto nativo conta sua própria história. Os dez maiores veículos cripto responderam por aproximadamente 25% do tráfego total cripto nativo. Outros 64,6% das visitas foram para publicações menores e de nicho. O restante ficou com sites de porte médio.
Essa fragmentação significa que focar apenas nas grandes marcas cripto deixa de fora quase 75% da audiência especializada. Nenhum veículo domina. Nenhum top 5 captura a maioria.
O cenário se parece mais com um gráfico de dispersão do que com uma hierarquia.
Ao mesmo tempo, a adoção institucional deslocou o centro de gravidade para a mídia financeira mainstream. Bitcoin (BTC) e ETFs de cripto receberam cerca de US$ 34,1 bilhões em aportes líquidos em 2025. O IBIT, da BlackRock, sozinho respondeu por US$ 25,1 bilhões. ETFs spot de Bitcoin passaram a deter aproximadamente 7% da oferta total de BTC.
A onda institucional foi muito além dos ETFs:
- JPMorgan lançou seu primeiro fundo de mercado monetário tokenizado na Ethereum (ETH), com aporte inicial de US$ 100 milhões
- A Visa lançou formalmente a liquidação em USDC (USDC) para bancos dos EUA em dezembro de 2025
- A Coinbase entrou no índice S&P 500
- A lei GENIUS, sancionada em julho de 2025, criou o primeiro marco federal para stablecoins
- A aplicação da MiCA nos 27 Estados-membros da UE trouxe clareza regulatória que tirou capital institucional da “arquibancada”
Quando 86% dos investidores institucionais afirmam deter ou planejar deter ativos digitais, a audiência que mais importa lê publicações mainstream.
Os leitores que tomam decisões de alocação não estão navegando em sites cripto nativos.
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O que isso significa para a estratégia de PR cripto em 2026
As conclusões apontam para uma reestruturação fundamental da comunicação em cripto. Não se trata de ajustes cosméticos. São alvos, métricas e orçamentos diferentes.
A mídia mainstream se torna o nível primário. A abordagem antiga tratava Bloomberg, Reuters e o Wall Street Journal como objetivos “esticados”.
Os dados invertem essa prioridade.
A mídia financeira mainstream comanda uma audiência seis vezes maior que todo o setor cripto nativo — e em crescimento.
Uma análise da Prosek Partners de agosto de 2025 argumentou que a explosão de Public crypto companies tornam o PR financeiro tradicional essencial, não opcional.
As listas de mídia precisam ser mais amplas e mais profundas. O problema de concentração no top 10 significa que as equipes de PR precisam tratar a “long tail” com seriedade.
Centenas de veículos menores, em conjunto, comandam três quartos do tráfego especializado. Ao mesmo tempo, canais “social-first” merecem uma estratégia dedicada. Só o X drives 71% de todo o tráfego vindo de redes sociais para sites de cripto.
Novas métricas de sucesso devem substituir as antigas. Contar apenas inserções em mídia cripto-nativa e estimar equivalência de valor em publicidade já não é suficiente. O relatório Outset Data Pulse sugere medir vários indicadores alternativos:
- Aumento on-chain após campanhas: atividade de carteiras, volume de transações ou TVL mudou?
- Share of voice em mídia mainstream, nos veículos-alvo
- Amplificação social em plataformas além do X
- Visibilidade em LLMs: o projeto aparece quando alguém pergunta ao ChatGPT, Perplexity ou Gemini sobre a categoria?
Essa última métrica reflete uma mudança mensurável. Os dados da Outset para o quarto trimestre de 2025 nos EUA showed que o tráfego gerado por IA respondeu por 25,61% de todas as visitas de referência para a mídia cripto. Otimização para busca em IA agora é um objetivo de PR, não um experimento.
A alocação de orçamento também deve mudar. A divisão tradicional em cripto PR de 70% mídia espontânea (earned) e 30% paga já não se encaixa no cenário atual. O reequilíbrio recomendado é diferente:
- 30% mídia espontânea (earned), distribuída por uma lista-alvo mais ampla e fragmentada
- 40% mídia própria (owned), incluindo newsletters da empresa, blogs, canais sociais e participações em podcasts
- 30% distribuição paga, mirando plataformas mainstream e o LinkedIn, onde o público institucional se concentra
Os padrões editoriais pós-FTX exigem substância. Repórteres agora pedem evidências on-chain auditáveis, dados de protocolo verificados e documentação de conformidade regulatória. Como a PRWeek reported, o PR em cripto deixou de explicar o que é blockchain e passou a mostrar como ele se encaixa nos sistemas financeiros existentes. A régua está mais alta. O público é mais sofisticado. Os pitches precisam acompanhar.
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Maturation Looks Like This
O instinto é interpretar a queda no tráfego da mídia cripto como sinal de enfraquecimento do interesse. O relatório Outset Data Pulse argumenta o oposto.
Quando um setor consegue adicionar US$ 91 bilhões em oferta de stablecoins, processar US$ 19 trilhões em transferências de USDT, gerar US$ 1,76 trilhão em volume de DEX e atrair US$ 34 bilhões em entradas de ETFs enquanto sua mídia especializada perde um terço da audiência, isso não é fragilidade. É maturação estrutural.
A comparação com as finanças tradicionais é instrutiva. Ninguém mede a saúde do mercado de ações conferindo o tráfego do Investor's Business Daily.
Stablecoins agora representam 1% de todos os dólares americanos em circulação como ativos tokenizados em blockchains públicas, de acordo com o relatório State of Crypto da a16z crypto report. A Tether detém US$ 141,6 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA, tornando-se uma participante relevante nos mercados de dívida soberana. A McKinsey e a Artemis Analytics estimated o volume real de pagamentos com stablecoins em aproximadamente US$ 390 bilhões anuais, com pagamentos B2B respondendo por 60% desse valor.
O ecossistema de mídia cripto não está morrendo. Está sendo reposicionado. Veículos especializados importam menos como primeira parada para descoberta e mais como destino para profundidade.
Os leitores que permanecem na mídia cripto-nativa provavelmente são mais conhecedores e mais engajados do que os visitantes ocasionais que foram embora. Mas o volume migrou para plataformas mainstream, e a atividade on-chain se desacoplou de ambas.
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Conclusion
Os dados de 2025 marcam um ponto de inflexão. O tráfego na mídia cripto-nativa e a atividade on-chain seguiram em direções opostas por um ano-calendário completo.
O setor adicionou quase US$ 100 bilhões em oferta de stablecoins enquanto sua imprensa especializada encolheu em um terço. A mídia mainstream com cobertura de cripto aumentou sua audiência em 60% e comanda um público seis vezes maior.
Para profissionais de comunicação, a implicação estratégica é direta: siga a atividade, não a atenção. O público institucional que agora domina os fluxos de cripto consome mídia financeira mainstream. Encontrá-los onde eles já estão não é um desvio do PR em cripto. É o PR em cripto se alinhando aonde o mercado já chegou.
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